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Renda Fixa

CRI e CRA em 2026: isentos de IR com Selic a 14,75% — quando rendem mais que LCI?

14 de abril de 2026•14 min de leitura•Adriano FreireAdriano Freire• Assessor ANCORD
CRI e CRA em 2026: isentos de IR, sem FGC — quando valem mais que LCI?

Com LCI e LCA na mira de uma possível tributação parcial pela reforma tributária, muitos investidores estão buscando alternativas isentas de IR em renda fixa. CRI, CRA e debêntures incentivadas já oferecem isenção há anos — mas combinam taxas mais altas com ausência de cobertura do FGC. Essa troca vale a pena?

A resposta depende do patrimônio, do horizonte de investimento e do quanto o investidor entende o risco que está assumindo. Neste artigo, apresento os números e os critérios objetivos para essa decisão.

Aviso legal: Este conteúdo é exclusivamente educacional e informativo. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer produto. Elaborado por Adriano Freire, Assessor de Investimentos credenciado pela ANCORD nº 50352. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Consulte um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.

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O que são CRI, CRA e debêntures incentivadas

Os três instrumentos compartilham a isenção de IR para pessoas físicas, mas têm origens e riscos distintos. A tabela abaixo resume as características principais em comparação com LCI/LCA:

CaracterísticaCRICRADeb. IncentivadaLCI/LCA
EmissorSecuritizadoraSecuritizadoraEmpresaBanco
LastroRecebíveis imob.Recebíveis agroInfraestruturaCarteiras crédito
Isenção IR (PF)SimSimSimSim
Cobertura FGCNãoNãoNãoSim (R$250k)
Prazo típico3–10 anos2–7 anos5–15 anos90 dias–3 anos
LiquidezBaixaBaixaBaixaBaixa a média

A base legal da isenção: CRIs são isentos pela Lei 9.514/1997 (art. 3°); CRAs pela Lei 11.076/2004; debêntures incentivadas pela Lei 12.431/2011. Todas as três leis garantem isenção de IR e IOF para pessoas físicas sobre os rendimentos desses títulos.

Rendimento comparado: CRI vs LCI com Selic a 14,75%

Simulação para R$ 100.000 investidos por 12 meses, com CDI a 14,65% e todos os produtos isentos de IR:

ProdutoTaxa (isenta)Rend./anoRend./mêsFGC
LCI 90% CDI13,185% a.a.R$ 13.185R$ 1.099Sim
LCI 95% CDI13,918% a.a.R$ 13.918R$ 1.160Sim
CRI CDI+1%15,65% a.a.R$ 15.650R$ 1.304Não
CRI CDI+1,5%16,15% a.a.R$ 16.150R$ 1.346Não
CRI CDI+2%16,65% a.a.R$ 16.650R$ 1.388Não
Deb. IPCA+8%~12,5% a.a. est.~R$ 12.500~R$ 1.042Não

O prêmio pelo risco sem FGC

Para R$ 100.000, a diferença entre LCI 90% CDI e CRI CDI+1,5% é de R$ 247/mês. Em 3 anos, isso representa R$ 8.892 adicionais — mas sem a proteção do FGC. A questão central: esse prêmio compensa o risco de crédito para o patrimônio específico do investidor?

Os três riscos que precisam ser entendidos antes de comprar

1. Risco de crédito

A securitizadora ou a empresa emissora pode enfrentar dificuldades. O lastro do CRI/CRA pode ter inadimplências — e quanto mais concentrado o lastro (lastro em único devedor), maior o risco. Em caso de insolvência do emissor, o investidor entra em processo de recuperação como credor quirografário ou com garantia real, dependendo da estrutura.

2. Risco de liquidez

CRI, CRA e debêntures têm mercado secundário restrito. Vender antes do vencimento pode gerar deságio de 5% a 15% dependendo do papel, do prazo restante e das condições de mercado. Quem precisa do dinheiro antes do vencimento pode ter perdas relevantes. Não são instrumentos para reserva de emergência.

3. Ausência total de FGC

Diferente de CDB, LCI e LCA — que têm garantia do FGC de até R$ 250.000 por CPF por instituição — CRI, CRA e debêntures incentivadas não têm nenhuma proteção do Fundo Garantidor de Créditos. Em caso de falência do emissor, o investidor assume o risco integral da perda.

Para quem CRI e CRA fazem sentido

Observo que esses instrumentos fazem mais sentido para um perfil específico de investidor. O critério principal não é tolerância a risco no sentido genérico — mas sim o tamanho do patrimônio em relação ao limite do FGC.

✓ Patrimônio em renda fixa acima de R$ 250.000

Quem já tem mais do que o limite do FGC alocado em renda fixa de qualquer forma — o FGC não cobre o excedente. Para esse investidor, o CRI representa um risco diferente (crédito privado), não necessariamente maior que o risco já existente no excedente descoberto.

✓ Horizonte de investimento de 3 a 10 anos

CRIs e CRAs têm prazos longos e liquidez restrita. O investidor precisa de capital comprometido por esse período sem pressão para liquidar antes do vencimento.

✓ Reserva de emergência já constituída em produto líquido

Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária para emergências e oportunidades. O CRI/CRA é para o capital que genuinamente pode ficar comprometido no prazo.

⚠ Patrimônio total em renda fixa abaixo de R$ 250.000

Para esse perfil, o CDB ou LCI com FGC oferece melhor relação risco/retorno. A proteção do FGC é real, gratuita para o investidor — e o prêmio pago pelo CRI não justifica abrir mão dela quando ainda há espaço dentro do limite.

Como avaliar um CRI ou CRA antes de investir

Não basta ver a taxa — o due diligence mínimo antes de comprar um CRI ou CRA envolve verificar:

Rating da emissão

Busque emissores com rating AA ou superior (S&P, Moody's, Fitch). Rating BBB ou abaixo indica risco de crédito significativo.

Diversificação do lastro

Evite CRIs com lastro concentrado em um único devedor ou ativo. Quanto mais diversificado, menor o impacto de uma inadimplência isolada.

Prazo e compatibilidade

O prazo de vencimento precisa ser compatível com seu horizonte. Verifique se há opções de amortização antecipada.

Liquidez no mercado secundário

Consulte o book de ofertas na plataforma — papéis com maior volume negociado têm menor deságio na saída antecipada.

Estrutura de garantias

Alienação fiduciária sobre imóveis, fundo de reserva e cessão fiduciária de recebíveis são garantias que reduzem o risco em caso de default.

Histórico da securitizadora

Consulte o histórico de emissões anteriores e se houve eventos de crédito (inadimplência, reestruturação) nos portfólios geridos.

Respostas Rápidas

CRI e CRA são isentos de IR em 2026?

▾

Sim. CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas em 2026. A isenção é garantida por lei: Lei 9.514/1997 para CRIs e Lei 11.076/2004 para CRAs. No entanto, diferentemente de LCI e LCA, esses títulos não têm cobertura do FGC.

Qual a diferença entre CRI e LCI?

▾

Ambos são isentos de IR para pessoa física. A diferença principal é o emissor e a garantia: LCI é emitida por bancos e tem cobertura do FGC até R$250.000; CRI é emitido por securitizadoras e não tem FGC. Em contrapartida, o CRI costuma pagar taxas maiores — um prêmio pelo risco adicional assumido pelo investidor.

Perspectiva do assessor

CRI, CRA e debêntures incentivadas são instrumentos legítimos e, em muitos casos, bem remunerados. O problema que observo é o investidor de perfil conservador, com R$ 80.000 em renda fixa, sendo convencido a colocar 30% disso em CRI porque "é isento e rende mais". Esse patrimônio ainda está inteiramente dentro do limite do FGC — e a ausência de proteção não é compensada pelo prêmio extra para esse perfil.

Para investidores com R$ 500.000 ou mais em renda fixa, já diversificados em CDB, LCI e Tesouro, um CRI de rating AA com CDI+1,5% pode ser uma adição inteligente ao portfólio. A escala importa — e o risco precisa ser adequado ao patrimônio e ao perfil.

Adriano Freire, Assessor ANCORD nº 50352 — conteúdo educacional, não recomendação.

Perguntas frequentes

O que são CRI e CRA?

CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) são títulos de renda fixa emitidos por securitizadoras — não por bancos. O CRI é lastreado em recebíveis do setor imobiliário; o CRA, em recebíveis do agronegócio. Pessoas físicas têm isenção de IR sobre os rendimentos — diferente do CDB, que é tributável.

CRI e CRA têm garantia do FGC?

Não. CRI e CRA não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos. O risco é da securitizadora emissora e dos ativos que compõem o lastro. Essa é a principal diferença em relação às LCIs e LCAs — que são isentas de IR e têm cobertura do FGC até R$250.000.

O que são debêntures incentivadas?

Debêntures incentivadas são títulos de dívida emitidos por empresas para financiar projetos de infraestrutura (energia, saneamento, transporte, portos), isentos de IR para pessoas físicas pela Lei 12.431/2011. Diferente de CDB e LCI, não têm cobertura do FGC — o risco é da empresa emissora.

CRI rende mais que LCI?

Em geral, sim. Como o CRI não tem FGC, os emissores precisam pagar um prêmio de risco maior. Um CRI a CDI+1,5% (16,15% a.a.) isento rende mais que uma LCI a 90% CDI (13,185% a.a.) isento. Para R$100.000, a diferença é de R$247/mês. A questão é se esse prêmio compensa a ausência de cobertura do FGC para o perfil do investidor.

Quais são as taxas típicas de CRI em abril 2026?

Com Selic a 14,75%, CRIs de bons emissores estão pagando: pós-fixados de CDI+1% a CDI+2%, prefixados entre 14% e 16% a.a., ou IPCA+7% a IPCA+9%. CRAs seguem taxas similares, às vezes com spread ligeiramente maior pelo setor agro. Taxas variam conforme o rating e prazo de cada emissão.

Como comprar CRI e CRA?

CRI e CRA são negociados em plataformas de investimentos (XP, BTG Pactual, Nubank, Inter, entre outros). Diferente de CDBs bancários, precisam ser encontrados nas carteiras de oferta dessas plataformas — não são produtos disponíveis em qualquer agência bancária.

Qual é o valor mínimo para investir em CRI ou CRA?

O valor mínimo varia por emissor e plataforma. Muitos CRIs de varejo têm mínimos entre R$1.000 e R$5.000. Emissões em plataformas como XP e BTG costumam ter mínimos de R$1.000. Emissões destinadas a investidores qualificados podem ter mínimos de R$300.000 ou mais.

Como declarar CRI, CRA e debêntures incentivadas no IR?

Na declaração de IR, os valores investidos entram na ficha 'Bens e Direitos' (código 45 para CRI/CRA, código 58 para debêntures). Os rendimentos isentos recebidos vão para 'Rendimentos Isentos e Não Tributáveis'. O informe de rendimentos da corretora traz todos os dados necessários.

CRI e CRA são seguros?

O risco é diferente de CDB e LCI. Não há cobertura do FGC. O risco de crédito depende da securitizadora e dos devedores que compõem o lastro. Emissores com rating AA ou AAA têm risco menor. O risco de liquidez é real — venda antes do vencimento pode gerar perdas no mercado secundário.

Quem é o perfil adequado para CRI e CRA?

Investidores com patrimônio em renda fixa acima de R$250.000 (que já ultrapassaram o limite do FGC em outros produtos), com horizonte de longo prazo (3 a 10 anos), e que já possuem reserva de emergência em produto líquido. Não é adequado para quem precisa de liquidez ou para patrimônios inteiramente dentro do limite do FGC.

Debêntures incentivadas valem mais que CDB em 2026?

Depende da taxa. Uma debênture IPCA+8% isenta, com IPCA estimado em 4,5% para 2026, equivale a ~12,5% ao ano isento — comparável a um CDB 100% CDI líquido de 12,086%. Para prazos longos, com expectativa de inflação mais alta, o IPCA+ pode ser mais vantajoso. Mas sem FGC.

Como analisar o risco de um CRI específico antes de investir?

Verifique: (1) rating do emissor e dos ativos lastro (S&P, Moody's, Fitch); (2) diversificação do lastro — lastro em único devedor aumenta o risco; (3) prazo até o vencimento; (4) liquidez no mercado secundário; (5) estrutura de garantias (alienação fiduciária, fundo de reserva). O prospecto de cada emissão é disponibilizado nas plataformas.

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Adriano Freire é Assessor de Investimentos credenciado pela ANCORD (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários), com registro nº 50352. Especialista em educação financeira e assessoria personalizada sobre investimentos e mercado financeiro.

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