Prefixado, pós-fixado e híbrido: tipos de rentabilidade explicados
Entenda os 3 tipos de rentabilidade em investimentos de renda fixa: prefixado (taxa fixa), pós-fixado (CDI, Selic) e híbrido (IPCA+). Veja exemplos práticos, vantagens de cada tipo e como escolher com dados reais de janeiro/2026.

Adriano Freire
Assessor de Investimentos ANCORD nº 50352
📊 Dados atualizados (Janeiro/2026): Este artigo usa dados reais de janeiro de 2026: Selic 15,00% a.a., CDI 14,32% a.a., IPCA 4,19% (12 meses).
Aviso legal: Este conteúdo tem fins exclusivamente educacionais e não constitui recomendação de investimento. Os exemplos são ilustrativos. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Consulte um assessor de investimentos certificado para orientação personalizada.

Ao começar a investir em renda fixa, você logo se depara com termos como "prefixado", "pós-fixado" e "híbrido". Mas o que exatamente cada um significa? E qual a diferença prática para o seu bolso?
Esses três tipos definem como a rentabilidade do seu investimento é calculada e, mais importante, o que você pode esperar de retorno. Cada tipo tem características únicas que se adequam a diferentes perfis e momentos econômicos.
Neste guia, vou explicar de forma clara e prática cada tipo de rentabilidade, com exemplos reais.
Os 3 tipos de rentabilidade em renda fixa
Toda aplicação de renda fixa se enquadra em um desses três tipos. A escolha entre eles define o que você receberá no vencimento:
Prefixado
Taxa fixa definida no momento da aplicação (ex: 12% ao ano)
Pós-fixado
Taxa vinculada a índice (ex: 100% do CDI, 100% da Selic)
Híbrido
Inflação + taxa fixa (ex: IPCA + 6% ao ano)
Tipo 1: Prefixado (taxa fixa)
O que é
No investimento prefixado, você sabe exatamente quanto vai receber no vencimento. A taxa é definida no momento da aplicação e não muda, não importa o que aconteça na economia.
Exemplo prático (Janeiro/2026)
Você investe R$ 10.000 em um CDB prefixado a 12% ao ano por 2 anos.
Investimento inicial: R$ 10.000
Taxa contratada: 12% ao ano (fixa)
Prazo: 2 anos
Valor bruto no vencimento: R$ 12.544
Cálculo: R$ 10.000 × (1,12)² = R$ 12.544 (desconsiderando IR para simplificar)
Vantagens
- Previsibilidade total: Sabe exatamente quanto vai receber
- Proteção se juros caírem: Taxa travada beneficia você
- Planejamento facilitado: Ideal para metas com valor definido
Desvantagens
- Não acompanha alta de juros: Se Selic subir, você perde rentabilidade
- Risco de inflação: Se IPCA disparar, seu ganho real diminui
- Marcação a mercado: Resgate antecipado pode ter perda (se aplicável)
Quando faz sentido
O prefixado é indicado quando você acredita que os juros vão cair ou se manter estáveis:
- Expectativa de queda da Selic nos próximos meses
- Cenário econômico estável ou em melhora
- Você vai segurar até o vencimento (evita marcação a mercado)
Tipo 2: Pós-fixado (indexado)
O que é
No investimento pós-fixado, a rentabilidade acompanha um índice de referência como CDI ou Selic. Você só saberá o valor exato no vencimento, mas tem previsibilidade do comportamento.
Exemplo prático (Janeiro/2026)
Você investe R$ 10.000 em um CDB que paga 110% do CDI por 1 ano.
Investimento inicial: R$ 10.000
Taxa contratada: 110% do CDI
CDI atual (jan/2026): 14,32% ao ano
Rentabilidade esperada: 110% × 14,32% = 15,75% ao ano
Valor bruto estimado (1 ano): R$ 11.575
Obs: Valor final pode variar se o CDI mudar ao longo do ano
Índices mais comuns
| Índice | Valor atual (jan/2026) | Usado em |
|---|---|---|
| CDI | 14,32% ao ano | CDB, LCI, LCA |
| Selic | 15,00% ao ano | Tesouro Selic |
| IPCA | 4,19% (12 meses) | Usado em híbridos |
Vantagens
- Acompanha alta de juros: Se Selic subir, você ganha mais
- Liquidez alta: Geralmente resgate diário sem perda
- Flexibilidade: Ideal para reserva de emergência
Desvantagens
- Perde com queda de juros: Se Selic cair, rentabilidade diminui
- Incerteza de valor final: Não sabe exatamente quanto receberá
Quando faz sentido
- Expectativa de alta ou estabilidade dos juros
- Você precisa de liquidez (emergência, curto prazo)
- Cenário econômico incerto ou volátil
Tipo 3: Híbrido (inflação + taxa fixa)
O que é
O investimento híbrido combina inflação (IPCA) + uma taxa prefixada. Isso garante que seu dinheiro não perca poder de compra e ainda ganhe um juro real acima da inflação.
Exemplo prático (Janeiro/2026)
Você investe R$ 10.000 no Tesouro IPCA+ 2035 que paga IPCA + 6,50% ao ano.
Investimento inicial: R$ 10.000
Taxa contratada: IPCA + 6,50% ao ano
IPCA atual (12 meses): 4,19%
Rentabilidade total (ano 1): 4,19% + 6,50% = aproximadamente 10,96%
Valor estimado (1 ano): R$ 11.096
Obs: IPCA varia mensalmente, valor final dependerá da inflação acumulada
Vantagens
- Proteção contra inflação: Garante ganho real (acima da inflação)
- Previsibilidade do ganho real: Sabe quanto ganhará "de verdade"
- Ideal para longo prazo: Perfeito para aposentadoria, estudos dos filhos
Desvantagens
- Marcação a mercado: Resgate antecipado pode ter perda significativa
- Liquidez baixa: Melhor levar até o vencimento
- Prazo longo necessário: Só faz sentido para objetivos de 5+ anos
Quando faz sentido
- Objetivos de longo prazo (aposentadoria, casa, faculdade dos filhos)
- Preocupação com perda de poder de compra
- Você pode deixar o dinheiro investido até o vencimento
- Busca ganho real garantido acima da inflação
Tabela comparativa: os 3 tipos lado a lado
| Característica | Prefixado | Pós-fixado | Híbrido |
|---|---|---|---|
| Exemplo de taxa | 12% ao ano | 110% do CDI | IPCA + 6,5% |
| Previsibilidade | Total (valor fixo) | Parcial (segue índice) | Ganho real fixo |
| Proteção inflação | Não | Parcial | Sim (total) |
| Risco juros subir | Alto (perde) | Baixo (ganha) | Neutro |
| Risco juros cair | Baixo (ganha) | Alto (perde) | Neutro |
| Liquidez típica | Baixa/Média | Alta (D+0 ou D+1) | Baixa (longo prazo) |
| Prazo recomendado | Curto/Médio | Curto/Emergência | Longo prazo |
| Exemplo de produto | Tesouro Prefixado, CDB prefixado | Tesouro Selic, CDB CDI | Tesouro IPCA+ |
Simulação comparativa: R$ 50.000 investidos por 3 anos
Vamos comparar os três tipos usando dados reais de janeiro/2026. Considere cenário onde as taxas se mantêm estáveis:
Prefixado 12% a.a.
Investimento inicial
R$ 50.000
Taxa fixa
12% ao ano
Valor bruto (3 anos)
R$ 70.246
Ganho total
+R$ 20.246
Pós-fixado 110% CDI
Investimento inicial
R$ 50.000
Taxa esperada
15,75% a.a. (110% × 14,32%)
Valor bruto estimado (3 anos)
R$ 76.192
Ganho total estimado
+R$ 26.192
Híbrido IPCA+ 6,5%
Investimento inicial
R$ 50.000
Taxa esperada
~10,96% a.a. (IPCA 4,19% + 6,5%)
Valor bruto estimado (3 anos)
R$ 68.264
Ganho total estimado
+R$ 18.264
Importante: Esta simulação considera que as taxas se mantenham constantes durante os 3 anos. Na prática, CDI e IPCA variam mensalmente, alterando os valores finais do pós-fixado e híbrido. Valores desconsideram IR para simplificar a comparação.
Como escolher entre os 3 tipos?
Não existe um tipo "melhor" - cada um tem seu momento ideal. Considere:
1. Seu objetivo e prazo
- Curto prazo (reserva de emergência): Pós-fixado com liquidez diária
- Médio prazo (objetivo em 2-4 anos): Prefixado ou pós-fixado
- Longo prazo (aposentadoria, 10+ anos): Híbrido (IPCA+)
2. Cenário econômico
- Juros altos e devem cair: Prefixado (trava taxa alta)
- Juros devem subir: Pós-fixado (acompanha alta)
- Inflação preocupante: Híbrido (protege poder de compra)
3. Sua necessidade de liquidez
- Pode precisar do dinheiro: Pós-fixado com liquidez diária
- Não vai precisar antes do vencimento: Prefixado ou híbrido
Erros comuns ao escolher tipo de rentabilidade
⚠️ Cuidado com estes erros
- Erro 1: Escolher prefixado sem considerar possibilidade de alta de juros
- Erro 2: Investir em híbrido com prazo curto e precisar resgatar antes (marcação a mercado)
- Erro 3: Comparar taxas sem olhar o tipo (12% prefixado ≠ 12% pós-fixado ≠ IPCA+ 12%)
- Erro 4: Não considerar inflação ao avaliar prefixados
- Erro 5: Não diversificar entre os tipos
Conceitos importantes relacionados
Marcação a mercado
Investimentos prefixados e híbridos sofrem marcação a mercado: se você resgatar antes do vencimento e os juros subiram, pode ter perda (o título vale menos no mercado). Pós-fixados geralmente não sofrem isso.
Taxa real vs nominal
- Taxa nominal: A taxa "bruta" do investimento (ex: 12% ao ano)
- Taxa real: O ganho acima da inflação (ex: 12% nominal - 4,19% IPCA = ~7,5% real)
Híbridos já entregam taxa real direta (IPCA + X%). Prefixados e pós-fixados precisam que você calcule o ganho real.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. Posso ter os três tipos de investimento ao mesmo tempo?
Sim, e é recomendado! Diversificar entre prefixados, pós-fixados e híbridos protege sua carteira de diferentes cenários econômicos. Exemplo: reserva de emergência em pós-fixado, objetivo de 2 anos em prefixado e aposentadoria em híbrido.
2. Qual tipo rende mais?
Depende do momento econômico. Em janeiro/2026, com Selic a 15%, pós-fixados estão rendendo mais. Mas se os juros caírem, prefixados contratados hoje terão melhor rentabilidade. Não existe "melhor absoluto", apenas o mais adequado ao cenário.
3. CDB pode ser dos três tipos?
Sim! Você encontra CDB prefixado (ex: 12% ao ano), CDB pós-fixado (ex: 110% do CDI) e CDB híbrido (ex: IPCA + 5%). O mesmo vale para LCI, LCA e outros produtos de renda fixa.
4. Pós-fixado sempre acompanha 100% do índice?
Não. Você pode encontrar CDBs que pagam 90%, 100%, 110%, 120% ou mais do CDI. Quanto maior o percentual e o prazo, melhor a remuneração. Exemplo: 120% do CDI significa que você ganha 20% a mais do que o CDI pagou.
5. O que é melhor em 2026: prefixado ou pós-fixado?
Em janeiro/2026, com Selic em 15% e expectativa de novos aumentos, pós-fixados são mais atraentes para curto prazo. Porém, se você acredita que os juros atingiram o pico e vão cair nos próximos meses, prefixados podem travar taxas altas. A decisão depende da sua visão de economia.
6. Híbrido sempre protege da inflação?
Sim, se você levar até o vencimento. O IPCA é corrigido mensalmente, garantindo que seu investimento acompanhe a inflação + o juro real contratado. Mas cuidado: resgate antecipado pode ter perda por marcação a mercado.
7. Posso perder dinheiro em algum dos três tipos?
Em termos nominais, não (assumindo que o banco/emissor não quebre e você esteja protegido pelo FGC). Porém, você pode perder em termos reais se a inflação superar seu ganho nominal. E em prefixados ou híbridos, pode ter perda por marcação a mercado em resgate antecipado.
8. O que significa "IPCA + 6,5%"?
Significa que sua rentabilidade será a inflação (IPCA) do período + 6,5% ao ano. Exemplo: se o IPCA for 4%, você ganha 4% + 6,5% ≈ 10,78% no ano. Os 6,5% são seu ganho real (acima da inflação) garantido.
9. Por que alguns prefixados pagam taxas tão altas?
Quanto maior o prazo e menor a liquidez, maior a taxa oferecida. Um CDB prefixado de 3 anos paga mais que um de 1 ano porque você está "travando" seu dinheiro por mais tempo, assumindo mais risco de mudança nos juros.
10. Tesouro Selic é pós-fixado?
Sim! O Tesouro Selic é um investimento pós-fixado que acompanha a taxa Selic. Ele é ideal para reserva de emergência porque tem liquidez diária, não sofre marcação a mercado negativa e rende todos os dias.
11. Como saber qual percentual do CDI é bom em um CDB pós-fixado?
Depende do prazo e liquidez. Para liquidez diária, 100-105% do CDI é comum. Para 2 anos sem liquidez, bons CDBs pagam 115-120% do CDI. Bancos grandes pagam menos, bancos médios pagam mais (mas verifique cobertura do FGC).
12. Posso mudar de prefixado para pós-fixado depois?
Não diretamente. Você precisaria resgatar o investimento prefixado (podendo ter perda por marcação a mercado) e aplicar em um pós-fixado. Por isso é importante escolher o tipo certo desde o início, considerando seu prazo e cenário econômico.
Próximos passos
Agora que você entende os três tipos de rentabilidade, explore mais sobre cada produto específico:
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Acessar calculadorasAviso legal: Este conteúdo tem fins exclusivamente educacionais e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Os valores e taxas apresentados são referências baseadas em dados de janeiro/2026 e podem variar. Consulte um assessor de investimentos certificado para orientação personalizada.

Adriano Freire
Assessor de Investimentos | ANCORD nº 50352
Adriano Freire é Assessor de Investimentos credenciado pela ANCORD (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários), com registro nº 50352. Especialista em educação financeira e assessoria personalizada sobre investimentos e mercado financeiro.
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