Juros Compostos: O Que São, Fórmula e Simulações Práticas
Aviso legal: Este conteúdo é educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. As simulações são baseadas em taxas vigentes na data de publicação e podem variar. Consulte um profissional certificado antes de investir.
Albert Einstein teria chamado os juros compostos de "a oitava maravilha do mundo". Verdade ou não, o conceito é real: juros sobre juros são a força que faz seu dinheiro crescer de forma acelerada ao longo do tempo. Neste artigo, você vai entender como eles funcionam, ver a fórmula explicada e acompanhar simulações práticas com as taxas de 2026.
O que você vai aprender neste artigo:
- O que são juros compostos (juros sobre juros)
- Diferença entre juros simples e compostos
- A fórmula dos juros compostos explicada passo a passo
- Simulações práticas com diferentes valores e prazos
- O poder do tempo e dos aportes regulares
- Juros compostos nos investimentos de renda fixa
O que são juros compostos?
Juros compostos são juros que incidem não apenas sobre o valor que você investiu inicialmente (o principal), mas também sobre os juros que já foram acumulados. É o famoso "juros sobre juros".
Parece simples, mas essa mecânica cria um efeito poderoso ao longo do tempo. Nos primeiros meses, a diferença é pequena. Mas conforme os anos passam, os juros acumulados começam a gerar juros cada vez maiores, e o crescimento se acelera de forma exponencial.
💡 Analogia simples: Imagine uma bola de neve descendo uma montanha. No começo, ela é pequena e cresce devagar. Mas à medida que rola, ela acumula mais neve, fica maior e começa a crescer cada vez mais rápido. Juros compostos funcionam da mesma forma com o seu dinheiro.
Juros simples vs. juros compostos
Para entender o poder dos juros compostos, é útil compará-los com os juros simples. Veja a diferença com um exemplo: R$ 10.000 aplicados a 1% ao mês durante 12 meses.
| Mês | Juros Simples | Juros Compostos | Diferença |
|---|---|---|---|
| 1 | R$ 10.100,00 | R$ 10.100,00 | R$ 0,00 |
| 3 | R$ 10.300,00 | R$ 10.303,01 | R$ 3,01 |
| 6 | R$ 10.600,00 | R$ 10.615,20 | R$ 15,20 |
| 12 | R$ 11.200,00 | R$ 11.268,25 | R$ 68,25 |
Em 12 meses, a diferença parece modesta: R$ 68,25. Mas esse efeito se multiplica drasticamente com valores maiores e prazos mais longos — como veremos adiante.
A fórmula dos juros compostos
A fórmula matemática dos juros compostos é:
M = C × (1 + i)ⁿ
M = Montante final (o que você terá no fim)
C = Capital inicial (quanto você investiu)
i = Taxa de juros por período (em decimal)
n = Número de períodos
Exemplo passo a passo
Vamos calcular quanto R$ 50.000 rendem em 5 anos a uma taxa de 15% ao ano (próxima à Selic atual):
C = R$ 50.000
i = 15% a.a. = 0,15
n = 5 anos
M = 50.000 × (1 + 0,15)⁵
M = 50.000 × (1,15)⁵
M = 50.000 × 2,0114
M = R$ 100.567,86
📊 Resultado: R$ 50.000 investidos a 15% ao ano se transformam em mais de R$ 100.000 em 5 anos — ou seja, seu dinheiro mais do que dobra. E desses R$ 50.567 de rendimento, uma parte significativa é juros sobre juros (e não apenas juros sobre o valor inicial).
Simulações práticas: o poder do tempo
O fator mais poderoso nos juros compostos é o tempo. Veja como R$ 50.000 iniciais (sem aportes adicionais) crescem ao longo dos anos, considerando uma taxa bruta de 15% ao ano:
| Prazo | Montante bruto | Juros acumulados | % de crescimento |
|---|---|---|---|
| 1 ano | R$ 57.500 | R$ 7.500 | 15% |
| 3 anos | R$ 76.044 | R$ 26.044 | 52% |
| 5 anos | R$ 100.568 | R$ 50.568 | 101% |
| 10 anos | R$ 202.278 | R$ 152.278 | 305% |
| 15 anos | R$ 406.894 | R$ 356.894 | 714% |
| 20 anos | R$ 818.327 | R$ 768.327 | 1.537% |
Valores brutos (antes do IR). Taxa de 15% a.a. mantida constante para fins educacionais. Na prática, a taxa pode variar ao longo dos anos.
💡 Observe: Em 10 anos, os juros acumulados (R$ 152 mil) já são mais de 3 vezes o valor inicial (R$ 50 mil). Em 20 anos, o rendimento chega a R$ 768 mil sobre um investimento de R$ 50 mil. Esse é o efeito exponencial dos juros compostos.
Juros compostos com aportes mensais
O efeito dos juros compostos fica ainda mais impressionante quando você faz aportes regulares — ou seja, investe um valor todo mês. Veja o que acontece com aportes mensais de R$ 1.000 a 15% ao ano (sem investimento inicial):
| Prazo | Total investido | Montante bruto | Juros acumulados |
|---|---|---|---|
| 1 ano | R$ 12.000 | R$ 12.978 | R$ 978 |
| 3 anos | R$ 36.000 | R$ 45.681 | R$ 9.681 |
| 5 anos | R$ 60.000 | R$ 89.684 | R$ 29.684 |
| 10 anos | R$ 120.000 | R$ 277.882 | R$ 157.882 |
| 20 anos | R$ 240.000 | R$ 1.515.536 | R$ 1.275.536 |
Valores brutos. Taxa de 15% a.a. (≈1,17% a.m.) mantida constante para fins educacionais. Aportes no início de cada mês.
📊 Destaque: Em 20 anos, você teria investido R$ 240 mil do seu bolso, mas os juros compostos teriam gerado mais de R$ 1,2 milhão em rendimento. O montante final de mais de R$ 1,5 milhão é composto por 84% de juros — e apenas 16% de dinheiro que você efetivamente colocou.
Calculadora de Juros Compostos
Simule o crescimento do seu patrimônio com diferentes valores, taxas e prazos. Inclua aportes mensais e veja o efeito dos juros compostos.
Acessar calculadora →Juros compostos na renda fixa: como funcionam na prática
Na prática, os investimentos de renda fixa no Brasil já funcionam com juros compostos automaticamente. Quando você aplica em um CDB, Tesouro Selic ou LCI, o rendimento de cada dia é calculado sobre o valor acumulado até aquele momento — ou seja, já são juros sobre juros.
Veja como R$ 100.000 crescem em diferentes produtos de renda fixa ao longo de 5 anos, considerando as taxas de fevereiro de 2026:
| Produto | Taxa bruta (a.a.) | Montante em 5 anos | Rendimento bruto |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic | 15,00% | R$ 201.136 | R$ 101.136 |
| CDB 100% CDI | 14,90% | R$ 200.060 | R$ 100.060 |
| LCI 90% CDI | 13,41% | R$ 187.714 | R$ 87.714 |
| Poupança | ~6,17% | R$ 134.942 | R$ 34.942 |
Valores brutos (antes do IR, quando aplicável). Taxas mantidas constantes para fins de comparação educacional. Selic 15% a.a., CDI 14,90% a.a. Fonte: Banco Central e B3, fevereiro de 2026.
O lado menos comentado: juros compostos contra você
Os juros compostos trabalham a seu favor quando você investe, mas trabalham contra você quando você toma empréstimos. Dívidas no cartão de crédito e cheque especial, por exemplo, utilizam juros compostos — e com taxas muito altas.
Enquanto a Selic está em 15% ao ano, as taxas do cartão de crédito rotativo podem passar de 400% ao ano em alguns casos. Isso significa que uma dívida no cartão cresce de forma exponencial e pode se tornar impagável rapidamente.
⚠️ Regra de ouro
Antes de pensar em investir, educadores financeiros costumam recomendar quitar dívidas de juros altos (cartão, cheque especial, empréstimo pessoal). O retorno de "investir" na quitação dessas dívidas é maior do que qualquer aplicação de renda fixa, pois você elimina juros compostos que estão trabalhando contra o seu patrimônio.
Perguntas frequentes sobre juros compostos
O que são juros compostos?
São juros que incidem sobre o valor inicial mais os juros acumulados — "juros sobre juros". Fazem o dinheiro crescer de forma exponencial ao longo do tempo.
Qual a fórmula dos juros compostos?
M = C × (1 + i)ⁿ, onde M é o montante final, C é o capital inicial, i é a taxa por período e n é o número de períodos.
Qual a diferença entre juros simples e compostos?
Nos juros simples, o cálculo incide sempre sobre o valor inicial. Nos compostos, incide sobre o valor atualizado (principal + juros). A diferença cresce exponencialmente com o tempo.
Por que juros compostos são importantes para investimentos?
Porque fazem o dinheiro crescer de forma acelerada. R$ 50.000 a 15% a.a. viram mais de R$ 202.000 em 10 anos — R$ 152 mil são apenas juros acumulados sobre juros.
Como calcular juros compostos na prática?
Use a fórmula M = C × (1 + i)ⁿ para cálculos simples, ou uma calculadora online para cenários com aportes mensais, taxas variáveis e prazos longos.

Adriano Freire
Assessor de Investimentos | ANCORD nº 50352
Adriano Freire é Assessor de Investimentos credenciado pela ANCORD (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários), com registro nº 50352. Especialista em educação financeira e assessoria personalizada sobre investimentos e mercado financeiro.
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