Copom Junho 2026: Selic cai para 14,25% — o que muda nos seus investimentos

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na reunião encerrada em 17 de junho de 2026, levando os juros básicos de 14,50% para 14,25% ao ano — o terceiro corte consecutivo do ciclo iniciado em 2026. A decisão foi unânime entre os membros do comitê.
A queda é pequena — equivale a R$ 104 a menos por ano para cada R$ 50 mil investidos em CDB 100% CDI — mas o sinal importa: o Brasil está em ciclo de afrouxamento monetário. Para quem tem dinheiro na poupança, em CDB, Tesouro Direto ou LCI/LCA, este artigo traz as tabelas atualizadas, os cálculos reais e o que cada tipo de investimento passa a render a partir de agora.
Aviso legal: Este conteúdo é exclusivamente educacional e informativo. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer produto. Elaborado por Adriano Freire, Assessor de Investimentos credenciado pela ANCORD nº 50352. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Consulte um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.
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💡 Resumo rápido — Copom junho/2026
- Decisão: Selic reduzida de 14,50% → 14,25% ao ano (corte de 0,25 pp)
- Data: Reunião encerrada em 17 de junho de 2026 — 4ª do ano
- CDI estimado: ~14,15% ao ano (≈ Selic − 0,10 pp)
- Poupança: segue em 0,5%/mês + TR — continua perdendo muito para o CDB
- Tom do BCB: Cauteloso — não sinaliza novos cortes no curto prazo
- Projeção IPCA 2026: elevada para 5,2% (meta: 3%)
📋 O que este artigo cobre:
→ O que o Copom decidiu e por quê→ Tabela: quanto rende seu dinheiro com Selic a 14,25%→ Poupança: a conta que a maioria não faz→ Tesouro Direto com Selic a 14,25%→ LCI e LCA: ainda vale?→ Prefixado e IPCA+: hora de mudar a estratégia?→ Perspectiva do assessor→ Perguntas frequentes (FAQ)O que o Copom decidiu e por quê
O Banco Central não toma decisões no vácuo. O Copom analisa um conjunto amplo de variáveis antes de cada reunião: o IPCA (inflação oficial), o mercado de trabalho, a atividade econômica, o câmbio e o cenário internacional. No caso de junho de 2026, três fatores pesaram na decisão de reduzir os juros:
- Desaceleração do IPCA em maio: após meses pressionados, a inflação mostrou arrefecimento em maio de 2026, abrindo espaço técnico para o corte.
- Alívio geopolítico: o anúncio de acordo de paz entre EUA e Irã no Oriente Médio reduziu a pressão sobre o petróleo e melhorou o apetite global a risco.
- Continuidade do ciclo: o mercado precificava corte de 0,25 pp com alta probabilidade, e o Copom validou essa expectativa sem surpreender.
Tom cauteloso: próximas reuniões em aberto
O comunicado do Copom manteve tom conservador. O BC elevou a projeção de IPCA para 5,2% em 2026 (meta é 3%) e destacou que o mercado de trabalho continua aquecido. Isso significa que novos cortes não estão garantidos — cada reunião será analisada separadamente. A próxima é nos dias 4 e 5 de agosto de 2026.
Para entender como a Selic impacta cada investimento, é importante compreender a cadeia de transmissão: a Selic define o custo do dinheiro entre bancos. O CDI (Certificado de Depósito Interbancário), calculado diariamente pela B3, segue de perto a Selic — geralmente fica 0,10 pp abaixo. Com Selic a 14,25%, o CDI estimado é de ~14,15% ao ano. Todos os CDBs, LCIs e LCAs referenciados ao CDI passam a usar essa taxa como base.
Confira o post Taxa Selic: Como a taxa básica sobe, cai e afeta seu bolso para entender em detalhes o mecanismo de transmissão dos juros básicos aos investimentos do dia a dia.
Quanto rende seu dinheiro com Selic a 14,25%?
Com CDI em torno de 14,15% ao ano, a tabela abaixo mostra o rendimento bruto e líquido (após IR de 15%, alíquota para aplicações acima de 720 dias) dos principais produtos de renda fixa em três valores comuns de aplicação.
| Produto | Taxa efetiva | IR | R$ 10k / mês líq. | R$ 50k / mês líq. | R$ 100k / mês líq. |
|---|---|---|---|---|---|
| Poupança | ~6,3% a.a.* | Isenta | R$ 52 | R$ 262 | R$ 524 |
| CDB 100% CDI | 14,15% a.a. | 15% | R$ 100 | R$ 501 | R$ 1.003 |
| CDB 110% CDI | 15,57% a.a. | 15% | R$ 110 | R$ 551 | R$ 1.102 |
| LCI/LCA 90% CDI | 12,74% a.a. | Isenta | R$ 106 | R$ 531 | R$ 1.062 |
| Tesouro Selic | 14,30% a.a.* | 15% | R$ 101 | R$ 506 | R$ 1.013 |
| Tesouro Prefixado | ~13,5% a.a. | 15% | R$ 96 | R$ 478 | R$ 957 |
*Poupança: 0,5%/mês + TR. Rendimento anual estimado em ~6,3% considerando TR histórica de 0,1% ao mês. Tesouro Selic: Selic + 0,05% ao ano (estimativa). IR de 15% aplicado a prazos acima de 720 dias. Valores aproximados para fins educacionais. Fonte: Banco Central (Selic 14,25%), B3 (CDI ~14,15%), Tesouro Nacional. Consultado em 18/06/2026.
📊 Exemplo prático — R$ 50.000 em CDB 100% CDI:
Capital: R$ 50.000
CDI anual: 14,15%
Rendimento bruto mensal: ≈ R$ 590
IR (15%): ≈ R$ 89
Rendimento líquido mensal: ≈ R$ 501
Para calcular o rendimento do seu próprio investimento, use nossa calculadora de CDB, LCI e LCA — basta inserir o valor, o percentual do CDI e o prazo para obter o resultado líquido de IR de forma instantânea.
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Poupança: a conta que a maioria não faz
A poupança rende 0,5% ao mês + TR sempre que a Selic estiver acima de 8,5% ao ano. Com Selic a 14,25%, a regra se mantém. O rendimento anual estimado fica entre 6,2% e 6,5% — dependendo da variação da Taxa Referencial (TR), calculada mensalmente pelo Banco Central.
O problema é que a poupança oferece apenas 44% do que um CDB 100% CDI rende no mesmo período — e isso antes de considerar a inflação. Com IPCA projetado em 5,2% para 2026, o ganho real da poupança (rendimento acima da inflação) é de praticamente zero. Quem tem R$ 50 mil na poupança está, na prática, preservando poder de compra mas não acumulando riqueza real.
| Investimento | Rendimento anual líquido | Ganho real (- IPCA 5,2%) |
|---|---|---|
| Poupança | ~6,3% | +1,1% |
| CDB 100% CDI | ~12,0% | +6,8% |
| LCI/LCA 90% CDI | ~12,7% | +7,5% |
| Tesouro IPCA+ 7% | ~7,0% real | +7,0% (garantido) |
Ganho real calculado subtraindo IPCA projetado de 5,2% (Copom, jun/2026). Valores aproximados para fins educacionais. Fonte: Banco Central, IBGE, Tesouro Nacional. 18/06/2026.
📊 Diferença concreta: Quem tem R$ 100 mil na poupança recebe cerca de R$ 524/mês. No CDB 100% CDI, esse mesmo valor rende R$ 1.003/mês — uma diferença de quase R$ 6.000 por ano. Em 10 anos com reinvestimento dos rendimentos, essa diferença se torna um patrimônio adicional relevante.
Compare as duas opções em detalhe usando nossa calculadora Poupança vs CDI. Você verá, ao longo de 5, 10 ou 20 anos, quanto patrimônio extra é acumulado ao migrar da caderneta para produtos referenciados ao CDI.
Tesouro Direto com Selic a 14,25%
O Tesouro Direto oferece três famílias de títulos, e cada uma reage de forma diferente ao corte da Selic:
| Título | Indexação | Taxa estimada (jun/2026) | Ideal para |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic | Pós-fixado (Selic) | Selic + 0,05% | Reserva de emergência |
| Tesouro IPCA+ | IPCA + juro real | IPCA + ~7,0% a 8,0% | Longo prazo, aposentadoria |
| Tesouro Prefixado | Taxa fixa | ~13,0% a 13,5% | Apostas em queda de juros |
Taxas estimadas. O Tesouro Direto atualiza preços diariamente em dias úteis. Consulte os valores atuais em tesourodireto.com.br. Fonte: Tesouro Nacional, 18/06/2026.
O Tesouro Selic é o menos afetado pelo movimento do Copom — ele simplesmente passa a render a nova meta Selic diariamente. Não oscila de preço (sem risco de marcação a mercado negativa) e continua sendo a escolha mais indicada por educadores financeiros para a reserva de emergência.
O Tesouro IPCA+ é o título mais sensível ao ciclo de juros. Com Selic caindo, os títulos prefixados e IPCA+ tendem a se valorizar (marcação a mercado positiva para quem já os possui). Quem comprou Tesouro IPCA+ quando os juros estavam mais altos pode estar vendo uma valorização extra. Para aprofundar, leia nossa análise Tesouro IPCA+: vale a pena com Selic caindo em 2026?
Use a calculadora de Tesouro Direto do site para simular o rendimento de cada título com a taxa atual, projetando diferentes prazos e comparando com o CDI.
LCI e LCA com Selic a 14,25%: ainda vale a pena?
LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) são isentas de Imposto de Renda para pessoa física. Com Selic a 14,25% e CDI em ~14,15%, uma LCI ou LCA que paga 90% do CDI oferece 12,74% ao ano — já liquido de IR.
Para efeito de comparação, o equivalente tributário de uma LCI/LCA a 90% CDI é um CDB a ~109% do CDI. Ou seja: uma LCI de 90% do CDI é melhor que um CDB de 100% do CDI, depois de considerar o IR.
💡 Fórmula da equivalência tributária: Para comparar uma LCI/LCA isenta com um CDB tributável, divida a taxa da LCI/LCA por (1 − alíquota IR). Exemplo: LCI 90% CDI ÷ (1 − 0,15) = 105,9% CDI equivalente. Ou seja, só vale um CDB se ele pagar mais de 105,9% do CDI para superar uma LCI de 90% do CDI no longo prazo.
O ponto de atenção nas LCIs e LCAs é o prazo mínimo de carência: por lei, LCIs devem ter vencimento mínimo de 12 meses e LCAs de 12 a 36 meses (dependendo do lastro). Não são ideais para reserva de emergência, mas fazem sentido para objetivos de médio prazo como viagem, troca de carro ou entrada de imóvel. Consulte nossa comparação completa em CDB vs LCI/LCA: quando cada um vale mais.
Prefixado e IPCA+: hora de mudar a estratégia?
Com o Copom em ciclo de corte — ainda que cauteloso — surgem perguntas sobre a hora certa de migrar do pós-fixado para o prefixado ou para o Tesouro IPCA+. A lógica é simples: se os juros vão cair, quem trava uma taxa alta hoje ganha mais no futuro.
O Tesouro Prefixado oferece taxas em torno de 13,0% a 13,5% ao ano (jun/2026). Se a Selic cair abaixo de 13% nos próximos anos — o que o mercado precifica para 2027 —, quem comprou prefixado hoje terá "travado" uma taxa superior. O risco: se a Selic subir (cenário de nova inflação), o título se desvaloriza no curto prazo.
O Tesouro IPCA+ a ~IPCA + 7% ao ano é uma escolha especialmente robusta para quem pensa no longo prazo (acima de 5 anos). Ele garante um juro real de 7% ao ano acima da inflação, independentemente do que o Copom decidir no futuro. Educadores financeiros frequentemente citam esse título como âncora de carteiras de aposentadoria — a taxa real atual é historicamente elevada.
⚠️ Risco de marcação a mercado
Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+ oscilam de preço diariamente (marcação a mercado). Se você precisar resgatar antes do vencimento, poderá receber menos do que investiu se os juros de mercado tiverem subido desde a compra. Por isso, esses títulos só devem compor a parcela do patrimônio que você não vai precisar no curto prazo.
Para entender o mecanismo de oscilação dos preços, leia Marcação a mercado: por que o Tesouro IPCA+ aparece negativo na tela.
Respostas Rápidas
Quando é a próxima reunião do Copom após junho de 2026?
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A próxima reunião do Copom após junho de 2026 está programada para os dias 4 e 5 de agosto de 2026. O comitê realiza 8 reuniões por ano, de acordo com o calendário divulgado pelo Banco Central.
O corte de 0,25 pp na Selic afeta o rendimento do FGTS?
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Não diretamente. O FGTS rende 3% ao ano + TR, independentemente da Selic. O que muda com a queda da Selic é que o diferencial de rendimento entre FGTS e outros investimentos diminui ligeiramente, mas o FGTS continua sendo um dos investimentos com menor rentabilidade entre os disponíveis — bem abaixo do CDB e Tesouro Selic.
Com Selic a 14,25%, ainda compensa o saque-aniversário do FGTS?
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Depende. O saque-aniversário libera parte do saldo do FGTS anualmente, que pode ser investido em produtos que rendam mais. Com Selic em 14,25%, o diferencial de rentabilidade (CDB rende ~14,15% ao ano vs FGTS a ~3% + TR) ainda é muito expressivo. Porém, quem opta pelo saque-aniversário perde o direito à multa de 40% em caso de demissão sem justa causa — o que deve ser considerado no cálculo.
💬 Perspectiva do assessor
"Quando o Copom corta a Selic em 0,25 pp, a reação mais comum dos meus clientes é me perguntar se precisam mudar tudo na carteira. A resposta quase sempre é: não. Um corte de 0,25 pp representa R$ 104 a menos por ano em R$ 50 mil — o equivalente a um churrasco. O sinal importa, mas a urgência de ação não existe.
O que muda de forma mais significativa são as perspectivas de longo prazo. Se o ciclo de queda continuar — e o mercado projeta Selic entre 12% e 13% em 2027 — quem tiver uma fatia do patrimônio travada em Tesouro IPCA+ a IPCA + 7% terá feito um excelente negócio. Na minha prática, vejo poucos investidores pessoa física aproveitando essa janela.
O mais importante agora é garantir que a reserva de emergência continua em Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária, e só depois considerar ampliar a fatia de longo prazo com títulos indexados ao IPCA. Nunca o contrário."
Perguntas frequentes
Qual foi a decisão do Copom em junho de 2026?
O Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano, na reunião encerrada em 17 de junho de 2026. A decisão foi unânime entre os membros do comitê.
O que é o Copom e como ele define a Selic?
O Copom (Comitê de Política Monetária) é o órgão do Banco Central do Brasil responsável por definir a taxa básica de juros (Selic). O comitê se reúne 8 vezes por ano e analisa indicadores econômicos como inflação (IPCA), atividade econômica, emprego e câmbio antes de cada decisão.
Quanto rende R$ 50 mil no CDB com Selic a 14,25%?
R$ 50 mil num CDB 100% CDI rende aproximadamente R$ 513/mês bruto e R$ 436/mês líquido (após IR de 15% para prazos acima de 1 ano). Com CDI estimado em 14,15% ao ano, o rendimento anual líquido é de cerca de R$ 5.227.
A poupança rende mais ou menos com a Selic a 14,25%?
A poupança continua rendendo 0,5% ao mês + TR quando a Selic está acima de 8,5% ao ano — regra que se mantém com Selic a 14,25%. O rendimento anual da poupança fica em torno de 6,17% a 6,5% (variação da TR), enquanto o CDI rende 14,15% ao ano. A diferença é enorme: em R$ 100 mil, são cerca de R$ 7.500 a mais por ano no CDB em vez da poupança.
O Tesouro Selic muda de preço com o corte da Selic?
Não diretamente. O Tesouro Selic é pós-fixado e acompanha a meta Selic diária. Com a Selic em 14,25%, ele passa a render aproximadamente Selic + 0,05% ao ano. O valor não oscila (sem marcação a mercado relevante), tornando-o ideal para reserva de emergência.
Devo migrar do CDB pós-fixado para prefixado agora?
Depende do seu perfil e horizonte. Se o ciclo de queda da Selic continuar, um CDB prefixado ou Tesouro Prefixado contratado hoje tende a se beneficiar. Porém, o Copom manteve tom cauteloso e não garantiu novos cortes. Consulte um assessor de investimentos antes de alterar a estratégia da sua carteira.
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Adriano Freire
Assessor de Investimentos | ANCORD nº 50352
Adriano Freire é Assessor de Investimentos credenciado pela ANCORD (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários), com registro nº 50352. Especialista em educação financeira e assessoria personalizada sobre investimentos e mercado financeiro.
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