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CDB Prefixado, Pós-Fixado ou IPCA+: Qual Escolher?

Existem três modalidades de CDB no Brasil e cada uma vence em um cenário diferente de juros. Em mais de uma década assessorando investidores pela ANCORD, o erro mais comum que vejo é escolher pós-fixado por reflexo — sem perceber que, com Selic em queda, o prefixado entrega mais. A escolha certa depende menos de "qual rende mais hoje" e mais de "qual cenário você acredita que vai acontecer".

2 de fevereiro de 2026·Atualizado em 5 de maio de 2026·12 min de leitura
Composição abstrata representando três caminhos de rentabilidade

Respostas Rápidas

O que é um CDB prefixado?

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CDB prefixado tem a taxa definida no momento da aplicação e mantida até o vencimento, independentemente do que acontecer com a Selic. Exemplo: CDB prefixado 13% a.a. paga exatos 13% ao ano, seja a Selic 8% ou 15%.

O que é um CDB pós-fixado?

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CDB pós-fixado acompanha o CDI (hoje 14,65% a.a.) com um percentual contratado. CDB 100% do CDI rende exatamente o CDI; CDB 110% do CDI rende 10% acima. A taxa muda conforme a Selic sobe ou cai.

O que é CDB híbrido ou IPCA+?

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CDB híbrido soma IPCA (inflação oficial) mais uma taxa real fixa contratada. Exemplo: IPCA + 6% a.a. Com IPCA de 5,48% (IBGE, mar/2026), o rendimento bruto fica próximo de 11,48% — mas a taxa real de 6% é garantida independentemente da inflação futura.

As três modalidades em resumo

TipoComo rendeMelhor quandoRisco principal
PrefixadoTaxa fixa contratada (ex: 13% a.a.)Selic vai cairSelic subir e você ficar preso
Pós-fixado% do CDI (ex: 110% CDI)Selic vai ficar alta ou subirSelic cair — rendimento diminui junto
Híbrido (IPCA+)IPCA + juro real fixo (ex: IPCA + 6%)Inflação subir acima do previstoDesinflação — real pode ficar abaixo do pós

Cenário: Selic 14,75% e CDI 14,65% (BCB, maio/2026). Fins educacionais.

Rendimento líquido real — tabela comparativa

Comparar taxas brutas não basta. O que importa é quanto sobra depois do IR regressivo (Lei 11.033/2004) e da inflação. Você pode simular quanto rende no CDB com o seu próprio valor, mas veja antes o cálculo para R$ 10.000 aplicados por diferentes prazos:

ProdutoTaxa brutaIR (prazo 2 anos)Líquido a.a.Real (–IPCA 5,48%)
CDB 110% CDI16,12%15% (acima 720d)13,70%7,74%
CDB 100% CDI14,65%15%12,45%6,61%
CDB Prefixado 13%13,00%15%11,05%5,28%
CDB IPCA + 6%~11,48%15%9,76%4,05% real garantido
Poupança10,50%Isenta10,50%4,75%

Cálculos: CDI 14,65% (BCB, mai/2026), IPCA 5,48% (IBGE, mar/2026), IR regressivo 15% para prazo acima de 720 dias (Lei 11.033/2004). Fins educacionais — taxas variam por instituição.

CDB pós-fixado: o padrão do mercado

É a modalidade mais oferecida no Brasil. Você contrata uma taxa atrelada ao CDI — geralmente entre 90% e 130% dependendo do banco e do prazo — e o rendimento acompanha exatamente esse índice ao longo do tempo.

Com CDI a 14,65% a.a. (maio/2026), um CDB 110% do CDI rende 16,12% bruto ao ano. Aplicado por 2 anos com IR de 15%, o líquido fica em torno de 13,70% a.a. — ou 7,74% acima da inflação.

Quando o pós-fixado vence

  • • Selic permanece alta ou sobe durante o prazo
  • • Você precisa de liquidez (muitos pós-fixados têm liquidez diária)
  • • Prazo curto (até 12 meses) onde a incerteza é maior
  • • Reserva de emergência ou de oportunidade

CDB prefixado: apostando na queda de juros

No prefixado, você trava hoje uma taxa anual que vai valer até o vencimento. Se contratou 13% a.a. por 3 anos, vai receber esses 13% mesmo que a Selic caia para 9% no caminho — o que nesse cenário é uma vitória.

Exemplo numérico — R$ 10.000 por 3 anos

CDB prefixado 13% a.a.: R$ 10.000 → R$ 14.428,97 bruto

IR regressivo 15% sobre o ganho de R$ 4.428,97 = R$ 664,35

Líquido: R$ 13.764,62 → equivale a 11,21% a.a. líquido

Se a Selic cair para 10% no ano 2, o pós-fixado teria rendido ~13,8% bruto no total — o prefixado teria vencido no acumulado.

Risco do prefixado: marcação a mercado

Se a Selic subir durante o prazo, o valor de mercado do seu CDB prefixado cai. Vendendo antes do vencimento (quando a corretora aceita), você pode ter prejuízo. A estratégia correta é carregar até o vencimento. Nunca aplique em prefixado dinheiro que pode ser necessário antes da data combinada.

CDB IPCA+ (híbrido): proteção real de longo prazo

O híbrido junta dois componentes: IPCA (inflação oficial, IBGE) + juro real fixo contratado. Com IPCA de 5,48% em 12 meses (mar/2026) e CDB IPCA + 6% a.a., o rendimento bruto fica próximo de 11,48%.

Parece pouco contra o pós-fixado atual, mas o híbrido tem uma vantagem única: independentemente de a inflação subir para 8% ou cair para 3%, sua taxa real de 6% a.a. se mantém. É proteção contra surpresas inflacionárias de longo prazo.

Quando o IPCA+ vence

  • • Objetivos de longo prazo: aposentadoria, educação dos filhos (5+ anos)
  • • Inflação acima das projeções do mercado
  • • Você quer garantir poder de compra real — não apenas nominal
  • • Diversificação dentro da renda fixa (junto com pós-fixado)

Simule quanto cada CDB rende

Compare prefixado, pós-fixado e IPCA+ com seu valor e prazo na calculadora.

Qual vence em cada cenário

Cenário A — Selic permanece alta (14–15%)

Vencedor: pós-fixado. CDI alto favorece quem está atrelado a ele. CDB 110% CDI rende ~13,70% líquido a.a. contra ~11,21% do prefixado 13%.

Cenário B — Selic cai para 10–11% em 2 anos

Vencedor: prefixado. Quem travou 13% hoje ganha de quem vai receber 100% de um CDI que caiu para 10%. A diferença acumulada em R$ 100.000 por 3 anos pode passar de R$ 8.000 líquidos a mais. Se ficou na dúvida sobre quando escolher um CDB prefixado vs pós-fixado, este guia destrincha cada cenário.

Cenário C — Inflação surpreende (IPCA acima de 7%)

Vencedor: IPCA+. O componente inflacionário se expande e o juro real fixo mantém seu poder de compra. Prefixado e pós-fixado podem ficar negativos em termos reais se a inflação explodir.

IR regressivo: a tabela que impacta os três

Todos os CDBs — prefixado, pós-fixado e híbrido — seguem a mesma tabela regressiva de IR (Lei 11.033/2004 e IN RFB 1.585/2015):

Prazo da aplicaçãoAlíquota de IRImpacto prático
Até 180 dias22,5%CDB 100% CDI rende ~11,35% líquido
181 a 360 dias20,0%CDB 100% CDI rende ~11,72% líquido
361 a 720 dias17,5%CDB 100% CDI rende ~12,09% líquido
Acima de 720 dias15,0%CDB 100% CDI rende ~12,45% líquido

Base: CDI 14,65% (BCB, mai/2026). Lei 11.033/2004. Fins educacionais.

A consequência prática: nunca vale a pena resgatar um CDB antes de 720 dias se você puder esperar. Passar de 17,5% para 15% de IR representa ganho líquido significativo no longo prazo.

Como montar uma escada com as três modalidades

Na prática, o investidor experiente não escolhe uma só — ele combina. Uma montagem comum: pós-fixado com liquidez diária para a reserva e o curto prazo, prefixado de 2 a 3 anos para travar a taxa atual caso a Selic caia, e IPCA+ de 5 anos ou mais para a parcela de aposentadoria. Essa "escada" reduz o custo de errar a previsão de juros, porque cada cenário tem ao menos uma fatia da carteira a seu favor.

Se você ainda não comprou seu primeiro CDB, veja o passo a passo de como investir em CDB antes de definir a proporção entre as modalidades.

FGC: proteção igual para os três

Independente da modalidade, todo CDB tem cobertura do FGC até R$ 250.000 por CPF e instituição (CMN Res. 4.222/2013). Acima desse valor, é exposição direta ao banco emissor — distribua entre instituições diferentes se for aplicar valores maiores.

Como comparar ofertas na prática

Para comparar CDB pós-fixado com prefixado ou IPCA+, use a taxa equivalente:

Fórmula de equivalência

Pós-fixado 100% CDI líquido = 14,65% × (1 − 0,15) = 12,45% a.a.

Prefixado equivalente bruto = 12,45% ÷ (1 − 0,15) = 14,65% a.a.

→ Para um CDB prefixado valer a pena sobre o pós-fixado 100% CDI hoje, ele precisaria oferecer mais de 14,65% bruto — com a aposta de que o CDI vai cair.

Respostas Rápidas

CDB prefixado ou pós-fixado: qual rende mais em 2026?

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Com CDI 14,65% a.a. (mai/2026), o CDB 100% CDI rende 12,45% líquido para prazo acima de 720 dias. Um prefixado a 13% rende 11,21% líquido — menos que o pós hoje. O prefixado só vence se a Selic cair abaixo de 13% durante o prazo. Decidir depende da sua visão do ciclo de juros.

Posso ter os três tipos de CDB ao mesmo tempo?

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Sim — e essa diversificação dentro da renda fixa é recomendada. Pós-fixado para reserva de curto prazo e liquidez, prefixado para apostar em queda de juros e IPCA+ para objetivos de longo prazo (aposentadoria, educação). Sempre respeitando o limite do FGC de R$ 250k por CPF e banco.

CDB de banco médio com taxa maior vale o risco?

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CDBs de bancos médios costumam oferecer 120–130% do CDI contra 100% dos grandes bancos. O risco adicional (crédito do banco emissor) é coberto pelo FGC até R$ 250.000. Acima desse valor, o risco existe. Verifique o rating do banco e os índices de Basileia antes de aplicar valores maiores.

Qual o imposto do CDB IPCA+?

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O CDB IPCA+ segue a mesma tabela regressiva dos outros CDBs: 22,5% até 180 dias, reduzindo a 15% acima de 720 dias. O IR incide sobre o ganho total (IPCA + juro real), não apenas sobre o juro real. Por isso o benefício real do IPCA+ fica menor após o desconto do imposto.

Aviso legal: Este conteúdo é exclusivamente educacional e informativo. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer produto. Elaborado por Adriano Freire, Assessor de Investimentos credenciado pela ANCORD nº 50352. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Consulte um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.

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Adriano Freire

Assessor de Investimentos | ANCORD nº 50352

Adriano Freire é Assessor de Investimentos credenciado pela ANCORD (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários), com registro nº 50352. Especialista em educação financeira e assessoria personalizada sobre investimentos e mercado financeiro.

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Adriano Freire

Assessor ANCORD

Educação financeira com dados do Banco Central e B3.

✓ ANCORD nº 50352 — Credenciado
✓ Dados Oficiais — BCB & B3
✓ Educacional — Sem recomendações

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