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Quanto rende R$ 200 mil, R$ 500 mil e R$ 1 milhão no CDI, IPCA+ e prefixado em 2026?

11 de março de 2026•16 min de leitura•Adriano FreireAdriano Freire• Assessor ANCORD
Quanto rende R$ 200 mil, R$ 500 mil e R$ 1 milhão no CDI, IPCA+ e prefixado em 2026?

A pergunta "quanto rende meu dinheiro por mês" parece simples, mas a resposta depende de três variáveis que a maioria ignora: o produto escolhido, a alíquota de IR aplicável ao prazo, e o cenário de Selic ao longo do tempo. Com R$ 200 mil, a diferença entre o pior e o melhor produto em 2 anos pode ser de mais de R$ 28.000 líquidos. Fizemos todas as contas — por patrimônio, por produto, com IR real e com projeção de cenários de Selic.

Aviso legal: Este conteúdo é exclusivamente educacional e informativo. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer produto. Elaborado por Adriano Freire, Assessor de Investimentos credenciado pela ANCORD nº 50352. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Consulte um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.

O que você vai encontrar neste artigo:

  • As taxas de referência de todos os produtos de renda fixa em março de 2026
  • Tabela completa de rendimento bruto e líquido de R$ 200 mil — 7 produtos
  • Tabela completa de rendimento de R$ 500 mil com equivalente em renda mensal
  • Tabela completa de rendimento de R$ 1 milhão e comparação em 10 anos
  • Como o prazo da aplicação muda o IR e o rendimento líquido final
  • O que acontece com cada patrimônio quando a Selic cai para 12%, 10% e além

As taxas de referência em março de 2026

Antes de calcular rendimentos, é preciso entender o cenário atual de taxas. Em março de 2026, o Brasil vive um momento de juros historicamente elevados — com a Selic em seu maior patamar desde 2016. Esse ambiente favorece o investidor de renda fixa, mas com diferenças relevantes entre produtos que poucos investidores calculam com precisão.

Indicador / ProdutoTaxa (março 2026)IRObservação
Selic15,00% a.a.—Taxa de referência do Banco Central
CDI~14,90% a.a.—Base dos pós-fixados; ~0,1% abaixo da Selic
IPCA acumulado 12 meses~4,8% a.a.—Inflação oficial (IBGE); projeção 2026: ~4,5%
Poupança~6,17% a.a.Isenta0,5%/mês + TR (Selic acima de 8,5%)
Tesouro Reserva (Selic)~14,90% a.a.15–22,5%Liquidez diária; 0,2% taxa de custódia B3
CDB 100% CDI (bancos grandes)~14,90% a.a.15–22,5%Padrão dos grandes bancos; cobertura FGC
CDB 110% CDI (bancos médios)~16,12% a.a.15–22,5%Bancos digitais/médios; cobertura FGC até R$ 250k
LCI/LCA 92% CDI (bancos grandes)~13,48% a.a.IsentaCarência mínima 90 dias (LCI) ou 90 dias (LCA)
LCI/LCA 95% CDI (bancos médios)~13,92% a.a.IsentaPrazos mais longos; cobertura FGC até R$ 250k
Prefixado Tesouro 2 anos~13,5% a.a.15%Trava taxa hoje; sem risco de crédito
IPCA+ 7,5% (Tesouro 2029)IPCA + 7,5% a.a.15%Proteção real; marcação a mercado até o venc.

Taxas de março de 2026. CDI calculado a 14,90% a.a. Para IPCA+, o rendimento total aproximado assume IPCA de 4,5% a.a. projetado. Valores educacionais — rentabilidade passada não garante retorno futuro.

Um dado que surpreende: a LCI a 92% do CDI (taxa nominal de 13,48% a.a., isenta de IR) supera o rendimento líquido do CDB 100% CDI tributado a 15% — mesmo rendendo 8% menos em termos nominais. Esse é o efeito da isenção fiscal que a maioria dos investidores subestima ao comparar produtos.

Rendimento de R$ 200 mil: tabela completa por produto

Começamos com R$ 200 mil — um patrimônio comum para investidores que já formaram reserva e estão avançando na acumulação. A tabela abaixo mostra o rendimento bruto mensal, o IR descontado e o líquido real que entra no bolso, tanto no mês quanto acumulado em 2 anos (prazo que garante alíquota de IR de 15% nos produtos tributáveis).

Para o cálculo mensal, usamos a taxa efetiva mensal equivalente à taxa anual indicada. Para o cálculo de 2 anos, aplicamos juros compostos com deducão do IR sobre o ganho total no resgate (não mês a mês, conforme o mecanismo do come-cotas não se aplica a CDB e Tesouro Direto da mesma forma que fundos).

ProdutoTaxa a.a.Bruto/mêsIRLíquido/mêsBruto 2 anosLíquido 2 anos
Poupança6,17%R$ 995zeroR$ 995R$ 25.560R$ 25.560
Tesouro Reserva14,90%R$ 2.28315%R$ 1.940R$ 58.870R$ 50.040
CDB 100% CDI14,90%R$ 2.28315%R$ 1.940R$ 58.870R$ 50.040
CDB 110% CDI16,12%R$ 2.51115%R$ 2.134R$ 64.880R$ 55.148
LCI/LCA 92% CDI13,48%R$ 2.098zeroR$ 2.098R$ 54.170R$ 54.170
LCI/LCA 95% CDI13,92%R$ 2.167zeroR$ 2.167R$ 56.000R$ 56.000
Prefixado 13,5%13,5%R$ 2.10315%R$ 1.788R$ 54.300R$ 46.155
IPCA+7,5%*~12,55%R$ 1.95415%R$ 1.661R$ 50.400R$ 42.840

*IPCA+7,5%: rendimento total estimado com IPCA de 4,5% a.a. projetado para o período. Tesouro Reserva considera taxa de custódia B3 de 0,2% a.a. descontada. Alíquota de IR de 15% aplicada para prazos acima de 720 dias. Valores brutos mensais calculados com taxa efetiva mensal equivalente à anual. Valores educacionais.

Perspectiva do assessor

A tabela acima mostra algo que raramente é apresentado de forma direta: a LCI a 92% do CDI, mesmo com taxa nominal 8% menor que o CDB 100% CDI, gera rendimento líquido mensal idêntico ou superior em prazos acima de 2 anos — por conta da isenção de IR. Para R$ 200 mil em 24 meses, a diferença entre poupança e CDB 110% CDI é de R$ 29.588 líquidos. Esse número precisa ser colocado na frente do investidor para que a decisão seja informada.

Rendimento de R$ 500 mil: o patamar da renda relevante

Com R$ 500 mil investidos, o investidor entra em um patamar onde os rendimentos mensais se tornam valores relevantes em termos de renda. Em produtos mais eficientes, o patrimônio já começa a gerar uma renda mensal comparável a um salário de executivo senior — mas as diferenças entre produtos se amplificam proporcionalmente.

Importante: ao atingir R$ 500 mil em um único emissor de CDB, a cobertura do FGC (R$ 250 mil por CPF por instituição) não cobre o valor integral. A estratégia de dividir em dois emissores ou migrar parte para Tesouro Direto (sem limite de FGC, garantido pelo governo federal) passa a ser uma consideração relevante.

ProdutoTaxa a.a.Bruto/mêsIRLíquido/mêsBruto 2 anosLíquido 2 anos
Poupança6,17%R$ 2.488zeroR$ 2.488R$ 63.900R$ 63.900
Tesouro Reserva14,90%R$ 5.70815%R$ 4.852R$ 147.175R$ 125.099
CDB 100% CDI14,90%R$ 5.70815%R$ 4.852R$ 147.175R$ 125.099
CDB 110% CDI16,12%R$ 6.27815%R$ 5.336R$ 162.200R$ 137.870
LCI/LCA 92% CDI13,48%R$ 5.245zeroR$ 5.245R$ 135.425R$ 135.425
LCI/LCA 95% CDI13,92%R$ 5.418zeroR$ 5.418R$ 140.000R$ 140.000
Prefixado 13,5%13,5%R$ 5.25815%R$ 4.469R$ 135.750R$ 115.388
IPCA+7,5%*~12,55%R$ 4.88515%R$ 4.152R$ 126.000R$ 107.100

*IPCA+7,5%: rendimento estimado com IPCA de 4,5% a.a. projetado. Valores educacionais — a rentabilidade real do IPCA+ depende da inflação realizada ao longo do período.

Quanto equivale em renda mensal líquida — por produto

Para colocar os números em perspectiva, veja o que R$ 500 mil geram em renda mensal líquida em cada produto — comparando com referências cotidianas de renda no Brasil:

ProdutoRenda líquida/mêsEquivalente aproximado
PoupançaR$ 2.488~2,6 salários mínimos (SM = R$ 1.518)
Tesouro Reserva / CDB 100% CDIR$ 4.852~3,2 salários mínimos
LCI/LCA 92% CDIR$ 5.245~3,5 salários mínimos
CDB 110% CDI (bancos médios)R$ 5.336~3,5 salários mínimos
LCI/LCA 95% CDI (bancos médios)R$ 5.418~3,6 salários mínimos
Prefixado 13,5%R$ 4.469~2,9 salários mínimos

Atenção: limite do FGC em R$ 500 mil

O FGC garante até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira. Com R$ 500 mil, manter tudo em um único CDB de banco médio significa que R$ 250 mil estão fora da cobertura. A estratégia comum é dividir entre dois emissores diferentes, ou manter parte no Tesouro Direto (sem limite de garantia, pois é dívida pública federal).

Rendimento de R$ 1 milhão: onde o produto certo muda tudo

Com R$ 1 milhão investido, as diferenças entre produtos deixam de ser números abstratos e se tornam impacto de renda mensal de R$ 3.000 a R$ 5.000 — suficiente para pagar um aluguel, um financiamento, ou representar a diferença entre depender e não depender do patrimônio para o sustento.

ProdutoTaxa a.a.Bruto/mêsIRLíquido/mêsBruto 2 anosLíquido 2 anos
Poupança6,17%R$ 4.975zeroR$ 4.975R$ 127.800R$ 127.800
Tesouro Reserva14,90%R$ 11.41715%R$ 9.704R$ 294.350R$ 250.198
CDB 100% CDI14,90%R$ 11.41715%R$ 9.704R$ 294.350R$ 250.198
CDB 110% CDI16,12%R$ 12.55615%R$ 10.672R$ 324.400R$ 275.740
LCI/LCA 92% CDI13,48%R$ 10.490zeroR$ 10.490R$ 270.850R$ 270.850
LCI/LCA 95% CDI13,92%R$ 10.835zeroR$ 10.835R$ 280.000R$ 280.000
Prefixado 13,5%13,5%R$ 10.51615%R$ 8.938R$ 271.500R$ 230.775
IPCA+7,5%*~12,55%R$ 9.76915%R$ 8.304R$ 252.000R$ 214.200

Poupança vs. IPCA+7,5% em 10 anos com R$ 1 milhão: o custo real do conformismo

Para demonstrar o impacto do produto escolhido no longo prazo, fizemos a comparação entre poupança e IPCA+7,5% com R$ 1 milhão aplicado por 10 anos, assumindo IPCA de 4,5% ao ano (projeção de longo prazo) e a Selic se estabilizando em ~10% após os cortes de 2026-2027. Os rendimentos são reaplicados (juros compostos).

PeríodoPoupança (bruto = líquido)IPCA+7,5% brutoIPCA+7,5% líquido (IR 15%)Diferença líquida
2 anosR$ 1.127.800R$ 1.252.000R$ 1.214.200+R$ 86.400
5 anosR$ 1.349.800R$ 1.777.100R$ 1.660.500+R$ 310.700
10 anosR$ 1.822.000R$ 3.158.000R$ 2.784.700+R$ 962.700

Simulação educacional com juros compostos. Poupança: 6,17% a.a. fixo (sem TR além de 0,5%/mês). IPCA+7,5%: taxa total de 12% a.a. média (IPCA 4,5% + 7,5% real) para os 10 anos. IR de 15% sobre o ganho total ao final. Valores arredondados. A rentabilidade futura do IPCA+ depende da inflação realizada, que pode ser maior ou menor do que o projetado.

Em 10 anos, a diferença entre poupança e IPCA+7,5% para R$ 1 milhão é de quase R$ 963 mil líquidos — praticamente um segundo milhão que o investidor da poupança simplesmente não acumulou. Isso não é retórica: é matemática de juros compostos com taxas reais muito diferentes.

O impacto do prazo no IR: quando cada alíquota se aplica

Um dos aspectos mais negligenciados pelo investidor médio de renda fixa é a tabela regressiva do Imposto de Renda. A alíquota não é fixa — ela diminui conforme o prazo da aplicação. Isso significa que o prazo que você escolhe para aplicar muda o rendimento líquido final de forma significativa, mesmo para exatamente a mesma taxa.

Prazo da aplicaçãoAlíquota de IRQuando se aplica
Até 180 dias22,5%Aplicações muito curtas; a maioria das contas-poupança "turbo" cai aqui
181 a 360 dias20%CDB de 6 a 12 meses; muito comum no varejo bancário
361 a 720 dias17,5%CDB de 1 a 2 anos; patamar intermediário
Acima de 720 dias15%Melhor alíquota disponível; CDBs de 2+ anos, Tesouro Direto longo

Exemplo concreto: CDB 110% CDI por 6 meses versus 2 anos

Veja como a diferença de alíquota afeta o resultado líquido de R$ 200 mil aplicados em CDB 110% CDI (taxa equivalente a 16,12% a.a.), comparando dois prazos diferentes:

Parâmetro6 meses (180 dias)2 anos (730 dias)
Capital inicialR$ 200.000R$ 200.000
Taxa aplicada16,12% a.a. (110% CDI)16,12% a.a. (110% CDI)
Rendimento brutoR$ 15.610R$ 64.880
Alíquota IR22,5%15%
IR pagoR$ 3.512R$ 9.732
Rendimento líquidoR$ 12.098R$ 55.148
Rendimento líquido anualizado~12,5% a.a.~13,7% a.a.
Rendimento líquido mensal médioR$ 2.016R$ 2.298

A diferença entre manter 6 meses (IR 22,5%) e 2 anos (IR 15%) não é só temporal — é de rendimento líquido anualizado: 12,5% vs. 13,7% ao ano. Para quem fica rolando CDB de curto prazo, essa diferença se acumula de forma invisível mas persistente ao longo dos anos.

Para qual prazo a LCI isenta supera o CDB 110% CDI tributado?

Uma pergunta frequente: em que ponto uma LCI a 92% CDI (isenta) supera um CDB a 110% CDI (tributado)? A resposta depende do prazo e da alíquota de IR vigente. Veja a comparação com R$ 200 mil:

PrazoIR aplicado (CDB 110%)CDB 110% líquidoLCI 92% líquidoVencedor
6 meses22,5%R$ 12.098R$ 13.170LCI (+R$ 1.072)
12 meses20%R$ 25.702R$ 27.096LCI (+R$ 1.394)
18 meses17,5%R$ 40.316R$ 40.644LCI (marginal)
24 meses15%R$ 55.148R$ 54.170CDB 110% (+R$ 978)

O ponto de virada é justamente ao completar 720 dias (2 anos), quando o CDB passa para IR de 15% e começa a superar a LCI isenção. Para prazos mais curtos — especialmente abaixo de 360 dias — a LCI a 92% CDI frequentemente supera o CDB 110% CDI em termos líquidos. Isso torna a LCI especialmente atrativa para quem sabe que vai precisar resgatar antes de 2 anos.

Perspectiva do assessor

O que esta tabela mostra é o argumento mais concreto para diversificar fora do pós-fixado agora: para R$ 1 milhão, a queda de Selic de 15,00% para 10% representa uma redução de aproximadamente R$ 4.000/mês líquido. Esse é o custo real de não agir. A pergunta que faço aos clientes é: você está confortável em aceitar essa redução de renda sem nenhuma ação de mitigação? A maioria, quando vê o número concreto, decide diversificar ao menos uma parcela para prefixado ou IPCA+.

O impacto da queda da Selic: como os números mudam por patrimônio

O cenário de março de 2026 é favorável ao investidor de renda fixa. Mas as projeções de mercado indicam queda gradual da Selic ao longo de 2026 e 2027. Para quem tem grandes volumes em produtos pós-fixados (CDI), essa queda se traduz em redução direta e automática da renda mensal — sem que seja necessário tomar nenhuma decisão "errada".

A tabela abaixo mostra o rendimento líquido mensal de CDB 100% CDI (IR 15%, prazo acima de 2 anos) em três cenários de Selic, para os três patrimônios analisados neste artigo. Os valores assumem que a Selic cai e o investidor permanece no produto pós-fixado sem qualquer rebalanceamento.

Cenário de SelicCDI mensal equivalenteR$ 200k líquido/mêsR$ 500k líquido/mêsR$ 1M líquido/mês
15,00% a.a. (atual)1,151%R$ 1.957R$ 4.893R$ 9.786
12,25% a.a. (estimado dez/2026)0,964%R$ 1.638R$ 4.096R$ 8.193
10% a.a. (cenário 2027-2028)0,797%R$ 1.354R$ 3.385R$ 6.771

Queda absoluta em reais: o custo de ficar parado no CDI por patrimônio

PatrimônioRenda atual (15,00%)Renda estimada (12,25%)Queda mensalRenda estimada (10%)Queda mensal total
R$ 200 milR$ 1.957R$ 1.638–R$ 319/mêsR$ 1.354–R$ 603/mês
R$ 500 milR$ 4.893R$ 4.096–R$ 797/mêsR$ 3.385–R$ 1.508/mês
R$ 1 milhãoR$ 9.786R$ 8.193–R$ 1.593/mêsR$ 6.771–R$ 3.015/mês

Renda líquida calculada com IR de 15% (prazo acima de 720 dias). Cenário de Selic a 12,25% ao final de 2026 e 10% em 2027-2028 são estimativas de mercado — o Banco Central pode agir de forma diferente dependendo do cenário inflacionário e fiscal. Valores educacionais.

O custo real de não agir

Para R$ 1 milhão, a queda de Selic de 15,00% para 10% representa uma redução de R$ 3.015/mês líquido na renda gerada pelo patrimônio. Esse não é um cenário catastrófico — é simplesmente o que aconteceu no ciclo 2016-2019 e pode acontecer novamente. O investidor que mantém parte do patrimônio em prefixados ou IPCA+ hoje está mitigando esse risco com as taxas mais altas disponíveis.

O que acontece com quem travou prefixado 13,5% a.a.? A proteção real

Para contrastar com o cenário CDI, veja o que acontece com R$ 200 mil, R$ 500 mil e R$ 1 milhão travados em CDB prefixado a 13,5% a.a. por 2 anos — independentemente do que acontecer com a Selic:

PatrimônioRenda mensal bruta (travada)IR (15%)Renda líquida/mêsProtegida contra cortes de Selic?
R$ 200 milR$ 2.103R$ 315R$ 1.788Sim — 100% fixa
R$ 500 milR$ 5.258R$ 789R$ 4.469Sim — 100% fixa
R$ 1 milhãoR$ 10.516R$ 1.577R$ 8.938Sim — 100% fixa

A renda do prefixado não cai com os cortes da Selic. Se a Selic for para 10% e o CDI seguir, o CDB pós-fixado perde R$ 3.015/mês para R$ 1 milhão. O prefixado a 13,5% continua rendendo R$ 8.938/mês — uma diferença de R$ 2.167/mês em relação ao CDI nesse cenário. Esse é o prêmio de prazo que o investidor captura ao travar hoje.

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Por que a poupança é o pior produto para patrimônios acima de R$ 50 mil

A poupança tem vantagens claras: liquidez imediata, sem IR, sem taxa de administração, disponível em qualquer banco. Para valores pequenos ou como conta corrente remunerada, ela tem lógica. O problema é manter grandes volumes nela por longos períodos.

Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais TR — o que equivale a aproximadamente 6,17% ao ano (considerando TR próxima de zero). Isso é menos da metade do CDI atual.

PatrimônioPoupança (6,17% a.a.)CDB 100% CDI líquidoDiferença mensalDiferença em 2 anos
R$ 50 milR$ 249R$ 485–R$ 236/mês–R$ 5.664
R$ 100 milR$ 497R$ 970–R$ 473/mês–R$ 11.352
R$ 200 milR$ 995R$ 1.940–R$ 945/mês–R$ 22.680
R$ 500 milR$ 2.488R$ 4.852–R$ 2.364/mês–R$ 56.736
R$ 1 milhãoR$ 4.975R$ 9.704–R$ 4.729/mês–R$ 113.496

Comparação entre poupança (6,17% a.a.) e CDB 100% CDI (14,90% a.a., IR 15%, prazo acima de 720 dias). Diferença em 2 anos é aproximação linear da diferença mensal média, sem considerar os juros compostos adicionais do CDB. Na prática, a diferença é ainda maior pelo efeito dos juros sobre juros.

Para R$ 1 milhão em 2 anos, a poupança deixa R$ 113 mil na mesa em comparação ao CDB 100% CDI. Para o CDB 110% CDI, essa diferença ultrapassa R$ 147 mil. Essa é a matemática que deveria tornar a poupança impensável para valores acima de R$ 50 mil em qualquer horizonte de médio prazo.

Perguntas frequentes

Quanto rende R$ 200 mil por mês em 2026?

Com R$ 200 mil em março de 2026 (Selic a 15,00%), o rendimento mensal líquido varia significativamente por produto. Na poupança: R$ 995/mês. No Tesouro Reserva ou CDB 100% CDI (IR 15%, prazo acima de 2 anos): R$ 1.940/mês. No CDB 110% CDI de banco médio: R$ 2.134/mês. Na LCI a 92% do CDI (isenta): R$ 2.098/mês. No prefixado a 13,5% a.a.: R$ 1.788/mês. A escolha do produto certo pode representar mais de R$ 1.000/mês a mais ou a menos na renda líquida.

Quanto rende R$ 500 mil por mês em 2026?

Com R$ 500 mil em março de 2026, o rendimento mensal líquido varia de R$ 2.488 na poupança a R$ 5.418 em uma LCI a 95% CDI isenta de IR. No CDB 100% CDI: R$ 4.852/mês. No CDB 110% CDI de banco médio: R$ 5.336/mês. Na LCI a 92% CDI: R$ 5.245/mês. No prefixado a 13,5%: R$ 4.469/mês. Importante: acima de R$ 250 mil por emissor, a cobertura do FGC não é total — diversificar entre emissores ou usar o Tesouro Direto passa a ser relevante.

Quanto rende R$ 1 milhão por mês em 2026?

Com R$ 1 milhão em março de 2026, o rendimento mensal líquido varia de R$ 4.975 na poupança a R$ 10.835 em uma LCI a 95% CDI. No CDB 100% CDI: R$ 9.704/mês. No CDB 110% CDI: R$ 10.672/mês. Na LCI a 92% CDI: R$ 10.490/mês. No prefixado a 13,5%: R$ 8.938/mês. Com R$ 1 milhão, a escolha entre produto ruim (poupança) e produto eficiente (LCI 95% CDI ou CDB 110%) representa quase R$ 6.000/mês de diferença na renda líquida.

Qual investimento rende mais: CDI, IPCA+ ou prefixado?

Depende do cenário de inflação e do seu prazo. Com IPCA esperado abaixo de 5,6% ao ano, o prefixado a 13,5% tende a superar o IPCA+7,5% em rendimento bruto. Com IPCA acima de 5,6%, o IPCA+ vence. Em cenário de queda de Selic, ambos superam o CDI pós-fixado puro para prazos acima de 2 anos. Para prazos curtos (abaixo de 1 ano), a LCI isenta frequentemente supera o CDB tributado mesmo com taxa nominal menor, graças à isenção de IR. Não há um vencedor absoluto — o produto certo depende do seu prazo, da sua visão de inflação e da sua necessidade de liquidez.

A poupança ainda vale a pena em 2026?

Para volumes pequenos ou como complemento de conta corrente, a poupança tem praticidade. Para patrimônios acima de R$ 50 mil aplicados por mais de 90 dias, a resposta é não — pelo menos no sentido de eficiência financeira. Com a Selic a 15,00%, a poupança rende 0,5% ao mês mais TR (equivalente a cerca de 6,17% ao ano), menos da metade do CDI. Para R$ 1 milhão em 2 anos, essa diferença representa R$ 113 mil a menos em rendimento líquido comparado ao CDB 100% CDI. Isso não impede o investidor de usar a poupança para conveniência — mas mantê-la como produto de investimento principal tem um custo calculável e alto.

Como o IR afeta o rendimento líquido mensal?

O Imposto de Renda sobre renda fixa no Brasil segue tabela regressiva: 22,5% para resgates em até 180 dias, 20% entre 181 e 360 dias, 17,5% entre 361 e 720 dias, e 15% acima de 720 dias. Isso significa que o prazo da aplicação é tão importante quanto a taxa. Um CDB 110% CDI resgatado em 6 meses rende líquido anualizado de cerca de 12,5% ao ano — enquanto o mesmo título mantido por 2 anos rende cerca de 13,7% ao ano líquido. Para R$ 200 mil, essa diferença de alíquota representa R$ 282 a menos por mês no cenário de curto prazo. A dica prática: sempre planeje o resgate para além de 720 dias quando possível, para capturar a menor alíquota de 15%.

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Adriano Freire - Assessor de Investimentos

Adriano Freire

Assessor de Investimentos | ANCORD nº 50352

Adriano Freire é Assessor de Investimentos credenciado pela ANCORD (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários), com registro nº 50352. Especialista em educação financeira e assessoria personalizada sobre investimentos e mercado financeiro.

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