Tesouro Prefixado vs CDB Prefixado: Risco, Tributação e Liquidez
Em março de 2026, o Tesouro Prefixado 2029 negocia em cerca de 14,3% ao ano, enquanto CDBs prefixados de bancos médios para o mesmo prazo pagam entre 14,8% e 15,5%. Na superfície, o CDB parece vencer. Mas a comparação honesta exige colocar na conta três variáveis invisíveis na taxa: risco de crédito, liquidez antes do vencimento e a dinâmica da marcação a mercado em caso de saída antecipada.

Respostas Rápidas
O que é um título prefixado?
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Título prefixado é aquele em que a taxa nominal é conhecida no momento da compra. O investidor sabe exatamente quanto receberá na data de vencimento, independentemente da evolução da Selic, do CDI ou da inflação. Essa previsibilidade é vantajosa quando se espera queda dos juros (a taxa travada fica acima do mercado futuro), mas é desvantajosa em caso de saída antecipada em cenário de alta de juros, quando a marcação a mercado faz o preço cair.
Qual a diferença entre Tesouro Prefixado e CDB Prefixado?
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Tesouro Prefixado é emitido pelo Tesouro Nacional, com risco soberano brasileiro e recompra diária pelo próprio Tesouro. CDB Prefixado é emitido por bancos, com risco de crédito da instituição emissora e cobertura do FGC até R$ 250.000 por CPF por instituição. A tributação é idêntica (tabela regressiva), mas a liquidez, o custo de custódia e a dinâmica de marcação a mercado diferem — e tornam a comparação mais sutil do que a taxa contratada sugere.
Comparação Direta
| Dimensão | Tesouro Prefixado | CDB Prefixado |
|---|---|---|
| Risco de crédito | Soberano (Tesouro Nacional) | Bancário (instituição emissora) |
| Cobertura FGC | Não se aplica (risco soberano) | Até R$ 250.000 por CPF por instituição |
| Liquidez | Diária (recompra pelo Tesouro) | Variável (vencimento, diária ou carência) |
| Marcação a mercado | Sim — B3 reprecifica diariamente | Sim — curva DI vigente |
| Custódia | 0,20% ao ano acima de R$ 10.000 | Zero |
| IR | Tabela regressiva 22,5% a 15% | Tabela regressiva 22,5% a 15% |
| Valor mínimo | A partir de cerca de R$ 30 | R$ 100 a R$ 5.000 conforme corretora |
Risco de Crédito: Soberano vs Bancário
O Tesouro Prefixado tem risco soberano brasileiro. O default doméstico do governo federal nunca ocorreu na moeda nacional desde o Plano Real — e a capacidade do Tesouro de emitir moeda para honrar dívida em real é um redutor estrutural desse risco, ainda que não o elimine completamente.
CDB Prefixado tem risco de crédito bancário. A cobertura do FGC (R$ 250.000 por CPF por instituição) mitiga esse risco para investidores pessoa física dentro do teto, mas com duas ressalvas: o ressarcimento leva até 60 dias em caso de intervenção, e o teto global é R$ 1 milhão a cada 4 anos por CPF. Para valores acima do limite, a análise do emissor passa a ser determinante.
Marcação a Mercado: a Assimetria Invisível
Ambos os produtos sofrem marcação a mercado — o preço negociado oscila em função da curva de juros. A regra é simples: quando os juros sobem, o preço dos prefixados cai; quando caem, o preço sobe. O impacto depende da duration (prazo médio ponderado dos fluxos).
Um Tesouro Prefixado 2029 tem duration de cerca de 3 anos. A cada 1 ponto percentual de alta na curva, o preço de tela cai aproximadamente 3%. Um CDB prefixado de prazo similar se comporta de maneira equivalente no secundário, mas com um detalhe: a liquidez do secundário de CDB é menor, e o investidor que precisa vender antes pode enfrentar deságio adicional de 1% a 3% em relação ao preço teórico.
Quando a marcação é irrelevante
Para quem carrega o título até o vencimento, a marcação a mercado é um ruído visual. A rentabilidade contratada é a que será paga, independentemente das oscilações intermediárias. O problema aparece apenas para quem precisa vender antes do prazo.
Quando o CDB Prefixado Compensa o Prêmio
Se o CDB Prefixado está pagando 0,5 a 1 ponto percentual acima da curva do Tesouro no mesmo prazo, a pergunta certa é: esse prêmio compensa o risco adicional? Três cenários em que a resposta tende a ser positiva:
- Valor dentro do limite do FGC. R$ 250.000 ou menos por instituição, com múltiplos emissores para diversificação.
- Emissor com rating AAA ou AA. A probabilidade de default de bancos de grande porte com rating alto é historicamente muito baixa no Brasil.
- Intenção clara de segurar até o vencimento. A falta de liquidez antecipada do CDB perde relevância se o investidor não planeja vender antes.
Quando o Tesouro Prefixado é Mais Adequado
Três cenários em que o Tesouro prevalece:
- Valores acima de R$ 250.000 em um único produto. Sem o limite do FGC, o risco bancário concentrado é maior que o soberano equivalente.
- Possibilidade de venda antecipada. A recompra diária pelo Tesouro evita o deságio adicional do secundário de CDB.
- Foco em simplicidade tributária e operacional. Tesouro Direto tem interface padronizada, custódia clara e liquidez imediata.
O Ponto que Quase Ninguém Analisa
Em ciclos de queda de juros, prefixados se valorizam — e quem comprou travando uma taxa alta pode, em vez de esperar o vencimento, vender no meio do caminho com ganho de capital sobre o principal. Essa estratégia funciona melhor com Tesouro Prefixado, por causa da liquidez diária e do spread estreito entre compra e venda.
Em CDB, essa estratégia também é possível, mas o menor volume do secundário e o spread maior reduzem o potencial ganho. Para quem quer trabalhar ativamente a posição em prefixados, o Tesouro costuma ser instrumento mais flexível.
Respostas Rápidas
Qual prazo prefixado faz mais sentido em 2026?
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Depende do cenário esperado para os juros. Em abril de 2026, com Selic em 14,75% e projeções de manutenção no curto prazo seguida de redução gradual, prefixados de 3 a 5 anos travam taxas próximas de 14% ao ano — acima da média histórica real brasileira. Prazos mais longos (Tesouro Prefixado 2031, por exemplo) oferecem prêmio adicional, mas aumentam a volatilidade de marcação e o risco em caso de alta imprevista da curva. A regra prática é casar prazo com objetivo e aceitar que o preço de tela vai oscilar no meio do caminho.
CDB prefixado pode ser retirado antes do vencimento?
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Depende do produto. CDBs prefixados com cláusula de liquidez diária permitem resgate a qualquer momento, porém geralmente ao preço de curva (o que pode envolver marcação a mercado e, em caso de alta de juros, perda de valor). CDBs prefixados com liquidez apenas no vencimento só podem ser vendidos no mercado secundário, com deságio variável conforme a demanda. A análise do produto e do próprio prospecto da emissão é essencial antes da compra.
Aviso legal: Este conteúdo é exclusivamente educacional e informativo. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer produto. Elaborado por Adriano Freire, Assessor de Investimentos credenciado pela ANCORD nº 50352. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Consulte um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.

Adriano Freire
Assessor de Investimentos | ANCORD nº 50352
Adriano Freire é Assessor de Investimentos credenciado pela ANCORD (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários), com registro nº 50352. Especialista em educação financeira e assessoria personalizada sobre investimentos e mercado financeiro.
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