TIR em investimentos: guia prático com exemplos reais para 2026
Rentabilidade simples funciona quando você investe uma única vez e resgata uma única vez. Mas a vida real tem aportes mensais, resgates parciais, juros recebidos periodicamente. Nesses casos, a Taxa Interna de Retorno (TIR) é o indicador correto para saber quanto um investimento realmente rendeu. Este texto mostra como calcular TIR na prática, com exemplos de aplicação real em Tesouro, CDB, FIIs e outros cenários.

Respostas Rápidas
O que é TIR em linguagem simples?
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TIR é a taxa de juros anual equivalente que faz todos os fluxos de caixa de um investimento (aportes negativos, resgates positivos) se equilibrarem no tempo. Em outras palavras, é a taxa que responde: 'se eu tivesse aplicado esse dinheiro em algo que rendesse X% ao ano, constante, eu teria o mesmo resultado financeiro'. É o indicador de rentabilidade mais correto quando há múltiplos fluxos ao longo do tempo.
Quando TIR é diferente da rentabilidade acumulada?
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Sempre que há mais de dois fluxos. Rentabilidade acumulada mede 'quanto meu dinheiro cresceu do início ao fim', mas não considera quando cada parte entrou. Quem aportou R$ 100 no primeiro mês e R$ 1.000 no último teve a maior parte do dinheiro investida por pouco tempo — a rentabilidade acumulada superestima o ganho real. TIR corrige isso ponderando cada fluxo pelo tempo em que ficou aplicado.
Exemplo 1: Aportes mensais em CDB
Cenário: você aporta R$ 1.000 todo início de mês em um CDB 100% CDI durante 12 meses. No final de 12 meses, resgata tudo. Quanto rendeu?
Aportou 12 × R$ 1.000 = R$ 12.000. Com CDI a 14,65% ao ano, o saldo final (considerando juros compostos e IR regressivo de 20% para 360 dias) fica em torno de R$ 12.750. Rentabilidade acumulada simples: (12.750 − 12.000) ÷ 12.000 = 6,25%. Mas isso é enganoso — boa parte do dinheiro esteve aplicada apenas 1-2 meses.
A TIR correta anualizada para esse fluxo fica em aproximadamente 11,7% ao ano — líquida de IR e equivalente ao rendimento real. Comparar com outros produtos só faz sentido via TIR.
Exemplo 2: FII com dividendos mensais
Cenário: você compra R$ 10.000 de cotas de um FII em janeiro, recebe R$ 80 de dividendo todo mês e vende a carteira por R$ 9.800 em dezembro (com deságio na cota).
Total recebido: 12 × R$ 80 (dividendos) + R$ 9.800 (venda) = R$ 10.760. Rentabilidade acumulada ingênua: 7,6%. Parece bom. Mas os dividendos ficaram com você durante o ano — poderiam estar rendendo em algum outro lugar.
TIR real considerando os fluxos mensais e a venda final: aproximadamente 8,2% ao ano (isento de IR para pessoa física em dividendos de FII). Ligeiramente maior porque os fluxos positivos intermediários antecipam parte do retorno.
Como calcular TIR no Excel ou Google Sheets
Função `=TIR(faixa)` ou `=IRR(range)` em Google Sheets. A faixa é uma coluna com todos os fluxos de caixa, negativos para aportes e positivos para resgates/recebimentos, em ordem cronológica.
Exemplo prático em coluna A:
- A1: −1000 (aporte mês 1)
- A2: −1000 (aporte mês 2)
- A3 até A11: −1000 cada (aportes 3 a 11)
- A12: −1000 (aporte mês 12)
- A13: +12750 (resgate total)
- Em A14: `=TIR(A1:A13)` retorna a TIR mensal. Para anualizar, usar `=(1+TIR(A1:A13))^12 − 1`.
Google Sheets: função `IRR` funciona igual, mesmos parâmetros.
Armadilhas comuns da TIR
1. Pressupõe reinvestimento na mesma taxa. Tecnicamente, a TIR assume que os fluxos positivos intermediários são reinvestidos à mesma TIR. No mundo real, raramente é o caso. Se você recebe dividendos de R$ 80/mês e deixa parado na conta, o retorno efetivo é menor que a TIR calculada.
2. Pode retornar múltiplos valores em fluxos complexos. Quando há mais de uma alternância de sinais (positivo-negativo-positivo), a TIR pode ter mais de uma solução matemática. Nesses casos, use TIR Modificada (MTIR/MIRR) ou VPL para comparar.
3. Não considera o volume investido. Um projeto pequeno com TIR de 30% pode ser financeiramente pior que um projeto grande com TIR de 12%. Para comparar alternativas, combine TIR com valor absoluto do ganho.
TIR vs taxa efetiva: quando uma ou outra
Para investimentos com uma única aplicação e um único resgate (ex: CDB prefixado 3 anos), a taxa efetiva contratada já é a TIR do investimento. Não há diferença.
Para investimentos com múltiplos fluxos, a TIR é a única forma correta. Qualquer comparação baseada em rentabilidade acumulada engana sistematicamente quando os fluxos não são uniformes no tempo.
Exemplo 3: comparando produtos com estruturas diferentes
Você precisa escolher entre:
- Produto A: Tesouro IPCA+ 2029, IPCA+7%, pagamento no vencimento, R$ 10.000 aplicados.
- Produto B: FII carteira diversificada, dividend yield 10%, com valorização esperada 0-2%, R$ 10.000 aplicados.
Produto A, assumindo IPCA médio 5%, entrega aproximadamente 12,3% brutos a.a. Líquido de 15% de IR: ~10,5% a.a. TIR = taxa efetiva = 10,5% a.a.
Produto B: dividendos isentos + 1% de valorização = ~11% brutos. Com reinvestimento de dividendos (hipótese): TIR efetiva ~11% a.a.
TIRs próximas — a decisão migra para outros fatores: volatilidade, liquidez, horizonte. Sem calcular TIR, a comparação seria enviesada pelo jeito diferente de divulgar rentabilidade de cada produto.
Respostas Rápidas
TIR e CDI são comparáveis diretamente?
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Sim, desde que a TIR esteja anualizada e seja líquida de IR. CDI é a taxa de referência anual. Se o seu investimento tem TIR líquida de 12% e o CDI está em 14,65%, o investimento rendeu aproximadamente 82% do CDI. A comparação só é justa se os horizontes forem similares — CDI curtíssimo prazo vs TIR de fluxo longo podem não ser comparáveis em momentos de curva de juros muito inclinada.
A planilha de banco/corretora mostra TIR correta?
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Algumas mostram, outras mostram rentabilidade acumulada simples. Confira o nome do campo: 'rentabilidade acumulada' e 'rentabilidade no período' costumam não ser TIR. Quando aparece 'TIR', 'taxa efetiva equivalente' ou 'rendimento anualizado', aí sim é a taxa correta para comparação. Em caso de dúvida, exporte os fluxos e calcule no Excel.
Aviso legal: Este conteúdo é exclusivamente educacional e informativo. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer produto. Elaborado por Adriano Freire, Assessor de Investimentos credenciado pela ANCORD nº 50352. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Consulte um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.

Adriano Freire
Assessor de Investimentos | ANCORD nº 50352
Adriano Freire é Assessor de Investimentos credenciado pela ANCORD (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários), com registro nº 50352. Especialista em educação financeira e assessoria personalizada sobre investimentos e mercado financeiro.
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